A normalidade está longe, mas já começa a dar alguns sinais. Depois das lojas até 200 metros quadrados, os cabeleireiros, stands automóveis e livrarias abrirem, esta segunda-feira, 18 de maio, o plano previsto pelo Governo permite agora a reabertura das creches, visitas a lares, restaurantes e cafés. Mas e quanto ao futuro? Deverão estes e outros espaços estar estruturados de forma diferente para garantir a nossa segurança?

Sabemos todas as regras de higiene e de etiqueta respiratória a seguir, no entanto, resta saber se estas serão suficientes ou se devemos ter uma visão futurista. Essa começa já a surgir pelo menos na aviação. A empresa italiana Aviointeriors, especializada em assentos de aviões, divulgou no Instagram um protótipo do que podem ser os aviões pós-pandemia.

Viseiras protetoras em todos os lugares e cadeiras em posição contrária em algumas filas de assentos alinhados, é como se define o projeto "JANUS", que está ainda em estudo. Resta saber que impacto terá esta nova estrutura na lotação do avião e, consequentemente, nas receitas das companhias.

Todos os cabeleireiros, livrarias e stands reabrem segunda-feira. Lojas só as que tiverem menos de 200 m2
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Mas passando para um futuro mais próximo, no que diz respeito aos restaurantes, hospitais, centros de saúde e até supermercados, fomos perceber, junto de um arquiteto e um infeciologista, o que é que pode ser feito.

Os restaurantes do futuro

Para já, o que está previsto é que os estabelecimentos reabram com metade da lotação e ainda com hora limite para fechar igual para todos e que será "provavelmente às 23h00", afirmou o presidente e deputado único do Chega esta quinta-feira, 14.

Num “Guia de Boas Práticas para a Restauração e Bebidas” lançado pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) é ainda dito que as cadeiras e as mesas devem estar a, pelo menos, dois metros entre as pessoas e os coabitantes podem sentar-se frente a frente ou lado a lado a uma distância inferior a dois metros. A tudo isto soma-se a constante higienização dos espaços e materiais que deve ser garantida pelo estabelecimento.

Contudo, estas são medidas adaptadas ao contexto inesperado criado pela pandemia. E se construíssemos um restaurante agora? "Uma das coisas nos restaurantes é pensar logo no serviço de take away. Existem plataformas que vão recolher a comida ao restaurante, mas não existe o take away propriamente dito e adaptado aos restaurante. Tem de estar pensado para, de forma rápida e prática, alterar o sistema de atendimento", revela o arquiteto Manuel Tojal, responsável pelo atelier Manuel Tojal Architects.

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Além da flexibilidade para adotar este serviço, o arquiteto revela que devem ser planeados desde início pontos de SOS e eletricidade perto das fachadas. Manuel Tojal destaca ainda a possibilidade de limitar o espaço para reduzir o número de pessoas, mas, como é de prever, qualquer redução de cadeiras representa uma redução de números ao fim do mês.

Quem também concorda com uma reestruturação na organização comum dos restaurantes é Luís Tavares, especialista de doenças infeciosas do hospital Lusíadas de Lisboa. "Muitos restaurantes têm pouco espaço entre as pessoas. Por isso, quanto mais que não seja por uma questão de intimidade, fazendo de conta que não há vírus, deve ser repensado", diz o especialista.

Destaca ainda a importância do distanciamento que deve ser tida em conta no futuro. "Imagine um restaurante com capacidade para 24 lugares. Você quer 12 lugares e são-lhe cedidos. Depois pede os lugares todos juntos. É pior do que se estiverem seis mesas dois a dois".

Supermercados

As filas à porta dos supermercados, com mais de um metro entre cada pessoa, já denunciam que esta é a uma das formas de limitar o número de clientes dentro das superfícies e também de potenciar o distanciamento.

Além disso, as faixas no chão podem ser outra das alternativas ainda que, de acordo com o arquiteto Manuel Tojal, sejam uma opção "adaptada aos espaços existentes. Os espaços não vão ser criados em função desses limites", diz à MAGG.

Aquilo que pode ser planeado é a colocação de faixas de acrílico, como já acontece em algumas caixas de atendimento, para separar funcionários de clientes. Manuel Tojal sugere também que desde os hipermercados ao pequeno comércio, deve haver uma maior aposta no serviço de entregas ao domicílio.

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Já o infecciologia Luís Tavares diz que os supermercados estão até muito controlados neste momento ."A política que está instituída nos supermercados é boa em termos de distanciamento e em termos de número de utilizadores", o que significa que além destes dois fatores, pouco mais pode ser feito no que diz respeito à estrutura destas superfícies.

Hospitais e centros de saúde

Desde que a pandemia se instalou em Portugal, a população começou a ter medo de se dirigir às unidades de saúde, o que representa uma quebra de 36,5% em relação a fevereiro nos serviços de urgência e que pode vir a representar, a longo prazo, um agravamento da condição de saúde de alguns doentes, tal como avançou o "Jornal de Notícias".

No entanto, hospitais e centros de saúde têm reorganizado o funcionamento dos espaços de modo a separar os utentes sem e com a infeção de COVID-19 (ou que tenham estado em contacto com alguém doente).

Esta é uma das práticas do hospital Lusíadas Lisboa reveladas à MAGG a propósito das medidas excecionais e temporárias sobre o Programa Nacional de Vacinação (PNV), mas que se estendem a todo o hospital "para conseguir assegurar todos os cuidados clínicos da maneira mais segura", disse a entidade. Apesar de terem surgido no meio da crise pandémica, parecem ser a solução para o futuro e a aquela em que as pessoas podem confiar.

"É como nos restaurantes que separam as zonas de fumadores de não fumadores. Passa-se a mesma coisa nos hospitais, não há mistura", compara o infecciologia Luís Tavares.

O especialista refere que os hospitais do Sistema Nacional de Saúde estão razoavelmente preparados precisamente com a triagem de pessoas que são encaminhadas para um de dois circuitos independentes.

"Um cinema vai continuar a ser um cinema"

Na opinião do infeciologia do hospital Lusíadas de Lisboa, a organização dos espaços no futuro não é o fundamental, mas sim os cuidados de higiene que cada um deve assegurar.

"Quanto à transmissão pelo contacto, válida para qualquer doença infecciosa, é importante ter uma boa higiene das mãos e das superfícies", destaca. Já sobre a transmissão por via aérea, o especialista Luís Tavares refere que o distanciamento e isolamento são as medidas chave para evitar a transmissão de qualquer vírus.

No fundo, o que o infecciologia e arquiteto constatam que o comportamento social vai ser decisivo, ainda que alguns detalhes possam fazer a diferença. Manuel Tojal dá um exemplo.

Tem já um projeto em mãos, uma loja de cidadão, que teve de ser repensado no contexto da COVID-19 para poder integrar coisas como painéis de acrílico, removíveis, nos balcões de atendimento — algo que pode vir a ser implementado noutros espaços públicos.

"Os projetos vão ter de ser mais polivalentes para estarem preparados para este tipo de situações", destaca o arquiteto, acrescentando um exemplo: "Um cinema vai continuar a ser um cinema, é inconcebível estarmos a fazer cadeiras de cinema com distância de dois metros umas das outras. Não é rentável em lado nenhum", diz.

Não podendo ser alterada a estrutura dentro das salas de cinema, Manuel Tojal indica que a única hipótese para promover o distanciamento social é fazer um sistema de vendas diferente de bilhete. O mesmo se aplica a ginásios, salas de espetáculos ou até transportes públicos.

"Acho que devemos, e a Direção-Geral de Saúde já alertou para isso, usar máscara sobretudo nos espaços em que tenhamos muita gente em simultâneo", aconselha, por fim, o especialista Luís Tavares.

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