O presidente com presença e expressão mais assídua no Twitter é também aquele que está a agora em guerra aberta com a rede social. A tensão entre Donald Trump e o Twitter acaba de aumentar depois de a plataforma ter adicionado um aviso sem precedentes em mais um tweet do presidente norte-americano. "Este Tweet violou as Regras do Twitter sobre enaltecimento à violência. No entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível", diz o aviso.

O tweet em causa diz respeito a uma publicação na qual Donald Trump se refere aos "bandidos" que estão a desonrar a memória de George Floyd: "Não deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e disse-lhe que o Exército está com ele sempre. Qualquer dificuldade e assumiremos o controle, mas, quando o saque começar, o tiroteio começa. Obrigado!".

Este já não é o primeiro aviso colocado num dos tweets do presidente. O primeiro, e aquele que gerou o início da polémica, aconteceu quando Donald Trump acusou o Twitter de interferir nas eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos. O Twitter decidiu agir e colocar um link sob o tweet de Trump, que demorou 10 horas a desenvolver, onde incita os leitores a verificar a veracidade da informação divulgada: "Conheça os fatos sobre a votação secreta por correio".

Até este último tweet, a rede social apenas tinha dito que publicações como aquelas que pareciam ameaçar a Coreia do Norte com guerra nuclear iriam permanecer na rede social, porque são "dignos de ser noticiados", embora sejam considerados contra as regras dos sites.

"Agimos no interesse de impedir que outros se inspirassem a cometer atos violentos, mas mantivemos o tweet no Twitter porque é importante que o público ainda possa vê-lo, devido à sua relevância para assuntos de importância pública em andamento", disse o Twitter na altura, de acordo com o jornal "The Independent".

Entretanto, ação da rede social acabou por mudar e os recentes avisos adicionados aos tweets do presidente significam que as pessoas podem retweetar com comentário, mas não podem pôr gosto, responder ou retweetar.

No decorrer destes acontecimentos, Trump ameaçou "fechar" as redes sociais na quarta-feira, 27 de maio e, um dia depois, assina uma nova ordem executiva para que seja modificada a lei de forma a aumentar a regulação em torno de plataformas como o Twitter, o Facebook e o Google, permitindo ainda uma maior abertura para a supervisão das autoridades. Para Donald Trump esta medida pretende defender a "liberdade de expressão perante um dos maiores perigos que já enfrentou na história da América”, de acordo com a CNN.

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Mas será que este controlo pode mesmo condicionar a forma como os utilizadores usam as redes sociais? “Isto pode levar as plataformas a serem mais rígidas com a autorização de conteúdo de terceiros na plataforma, o que pode restringir o acesso dos utilizadores às plataformas e pode até mudar ou mesmo eliminar o modelo de negócio actual, que se baseia em conteúdo gerado pelo utilizador", explica Farzaneh Badiei, investigadora na escola de Direito da Universidade e Yale ao jornal "Público".

A nova regulamentação cujo pretexto é o de “prevenir censura online” vem assim alterar a legislação em vigor desde a década 90 que protegia as redes sociais de processos judiciais por causa da mediação que atualmente fazem do conteúdo. Esta proteção diz respeito à secção 230 do Communications Decency Act (CDA).

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