Numa primeira entrevista a um órgão de comunicação social estrangeiro, a tenista Peng Shuai retratou-se e disse, ao contrário daquilo que afirmou no início de novembro, não ter sido vítima de agressão sexual. "Quero deixar isto bem claro: nunca afirmei nem escrevi ter sido agredida sexualmente por alguém", terá dito a tenista numa entrevista ao jornal de Singapura que foi, depois, traduzida e publicada este domingo, 19 de dezembro, pelo jornal britânico "The Guardian".

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"No que toca ao Weibo [a rede social chinesa através do qual o seu relato foi partilhado em massa antes de ser censurado], trata-se de uma questão pessoal. Houve vários mal-entendidos e é importante que não haja quaisquer interpretações distorcidas", disse.

A entrevista terá sido concedida na sequência da participação da atleta num evento de esqui em Xangai, na China. Além daquela que se considera ser a primeira entrevista a um órgão de comunicação social estrangeiro, foram ainda divulgadas novas imagens da tenista.

"Um amigo enviou-me este vídeo que mostra a estrela de ténis, Peng Shuai, a conversar com Yao Ming, uma das jogadores mais acarinhadas da história da NBA", escreve a jornalista chinesa Qingqing Chen, na sua página de Twitter.

Novas declarações de Peng Shuai contradizem o relato inicial

As novas declarações da tenista não vão ao encontro daquelas que foram as suas primeiras declarações, no início de novembro. Na altura, Peng Shuai acusou um ex-governante da China de agressão sexual.

Na acusação tornada pública, Peng Shuai descreve que conheceu Zhang Gaoli — que assumiu o cargo de vice-primeiro-ministro entre 2013 e 2017 — no início da sua carreira e que terá sido desde então que ambos mantiveram uma relação de intimidade consensual. Terá sido logo após a sua saída do governo, em 2017, que Gaoli a terá forçado a ter relações sexuais, depois de a ter convidado para jogar ténis em sua casa.

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"Tive bastante medo naquela tarde. Nunca consenti o que aconteceu e chorei o tempo inteiro. Sinto-me um cadáver", terá escrito a tenista. Apesar da descrição, a atleta admitiu que não tinha quaisquer provas que pudessem corroborar a sua versão dos factos, até porque a relação de ambos sempre foi mantida em segredo.

A acusação levou a que Peng Shuai estivesse desaparecida ao longo de mais de duas semanas. A primeira vez que foi vista, em tempo real, aconteceu a 21 de novembro, quando a tenista participou numa conversa com Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional.

Durante a chamada, Peng Shuai terá assegurado de que estava "bem e a salvo".

Apesar das esporádicas aparições públicas desde então, continua a haver preocupação internacional sobre a segurança e bem-estar da atleta, que muitos acreditam estar a ser coagida pelas autoridades chinesas para que o assunto deixe de ser abordado pela imprensa internacional e pelas organizações ativistas que têm saído em defesa da tenista.

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