Marta Temido, ministra da Saúde, foi a primeira a falar na conferência de imprensa da tarde de quinta-feira, 3 de dezembro, que serviu para apresentar o plano de vacinação contra a COVID-19.

A ministra começou o discurso de abertura com um agradecimento à task force criada pelo governo, responsável por criar o plano de vacinação, salientando a importância do momento que se vive:  “Hoje é um dia importante. Portugal à semelhança daquilo que outros países tem estado a fazer, tem um plano para a distribuição de vacinas”, disse. “É mais um passo de um trabalho que começou há muitos meses“, acrescenta.

22 milhões de doses de vacinas

Avançou de seguida alguns números: "O nosso país, através de uma resolução de conselho de ministros de agosto passado, autorizou a primeira despesa relacionada com este processo: 20 milhões de euros de uma despesa que, se estima, possa chegar a mais de 200 milhões de euros e que permitira ao pais contar com mais de 22 milhões de doses de vacinas que representam um amplo portfólio daquilo que poderão ser as várias escolhas e as melhores opções terapêuticas."

Apesar das "incertezas" ligadas às várias vacinas, tendo em conta a "fase dos ensaios em que ainda nos encontramos, mesmo relativamente às que estão em fase mais adiantada", Marta Temido frisa que "não nos podem inibir de planear aquilo que será seguramente um dos instrumentos essenciais para continuar a enfrentar" a COVID-19.

Marta Temido avança que Comité de Medicamentos de Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento prevê concluir a avaliação das vacinas Biotech/Pfeizer a 29 de dezembro e a vacina da Moderna a 12 de janeiro.

"Caráter universal e gratuito"

O país, garante Marta Temido, “efetivamente cumpre aquilo que neste momento é o primeiro cenário”, ressalvando que as 22 milhões de doses que vão chegar a Portugal terão “caráter universal e gratuito”, explicando ainda que serão “disponibilizadas em vários pontos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), utilizando o mais possível aquilo que é a cadeia do SNS numa primeira fase", sendo, depois, eventualmente, "expansível a outros pontos do sistema, com uma logística segura e com registos que permitirão a cada momento seguir monitorizar o processo nas suas várias dimensões."

As regras do distanciamento social, da higienização das mãos, da utilização da máscara manter-se-ão durante "largos meses", alerta, uma vez que são "absolutamente imprescindíveis para podermos, manter os nossos sistemas sociais e económicos a responderem num período em que ainda não se tenha alcançado a imunidade."

Com excepção para os residentes e profissionais de lares, assim como internados nas unidades de cuidados intensivos, que serão vacinados no local, as vacinas contra a COVID-19 serão disponibilizadas em 1200 pontos de vacinação, nos centros de saúde, de norte a sul do país.

Os seis acordos e a quantidade de vacinas

A segunda pessoa a falar na conferência de imprensa foi Rui Ivo, presidente do Infarmed, que adiantou pormenores sobre como tem vindo a ser montado o plano de vacinação, nomeadamente os acordos de aquisição: “Teve de se a criar condições para toda a parte administrativa pudesse ser feita de uma vez só para todos os países [da União Europeia].”

Além do acesso da vacina a todos os cidadãos dos Estados-Membros, Rui Ivo refere ainda a preocupação em "garantir um portfólio alargado de vacinas", avançando depois que foram concluídos seis acordos:

  • Com a  Astrazeneca, de 6,9 milhões de doses para Portugal, em agosto; da Sanofi/GSK, em setembro, com doses ainda por definir;
  • Com a Janssen, em outubro, com 4,5 milhões de doses;
  • Com a  BioNTecn/Pfizer, também com 4,5 milhões de doses;
  • Com a Curevac, com entre quatro a cinco milhões de doses;
  • Com a Moderna, assinado a 25 de novembro, com 1,8 milhões de doses

Seguiu-se a apresentação do plano de vacinação cujo objetivo passa por “reduzir a mortalidade que a doença causa e a tentar aliviar o SNS", assim como possibilitar o controlo de surtos, explicou Francisco Ramos, coordenador da task force, o terceiro a falar na conferência de imprensa.

As fases de vacinação

Uma das grandes questões respondidas: quem é vacinado primeiro. A primeira fase arranca já em janeiro, diz Francisco Ramos que, apesar de tudo, recomenda a que o Governo não estabeleça já um dia específico: "A informação que existe hoje sobre o processo dá-nos a segurança suficiente para dizer que em janeiro vamos começar“. A correr bem, decorrerá entre janeiro e fevereiro — ou março. Se houver muitos obstáculos, num cenário pior, poderá ir até abril.

Haverá três fases, direccionadas a grupos diferentes, consoante a profissão, a idade e comorbilidades.

Primeira:

  • Profissionais de saúde, residentes em lares e em instituições semelhantes, assim como profissionais e internados em unidades de cuidados intensivos — 250 mil pessoas;
  • Pessoas com 50 ou mais anos, que apresentem, pelo menos, uma das patologias seguintes (as que potencialmente geram doença mais grave por COVID-19): insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal, doença pulmonar obstrutiva crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração — 400 mil pessoas;
  • Profissionais de saúde ligados ao cuidados de doentes e profissionais de forças de segurança e outros serviços essenciais — 300 mil pessoas.

Segunda:

  • Pessoas com mais de 65 anos, com ou sem patologias;
  • Pessoas com mais de 50 anos, com outras patologias: diabetes, neoplasia maligna ativa, insuficiência hepática, insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial — e, provavelmente, outras.

Deverá totalizar 1,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos e 900 mil pessoas com patologias. Segundo Francisco Ramos, nas duas primeiras fases deverão ser vacinadas 3,65 milhões de pessoas.

Terceira: 

  • Caso as duas primeiras fases se efetivem, dentro do previsto, o resto da população. Se isso não se verificar, será necessário criar um terceiro grupo prioritário.

“O caminho é comprido e bastante penoso”

António Costa, primeiro-ministro, falou também na conferência de imprensa e alertou: as 22 milhões de doses não chegam ao país ao mesmo tempo. “O caminho é comprido e bastante penoso."

A chegada gradual e a distribuição por fases (que podem vir a ser alteradas, consoante as necessidades) tornam o processo todo mais lento: "Estas vacinas não chegam todas no primeiro dia, mas vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano”.

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