Há exatamente um ano, as praias de Lisboa enchiam-se de gente numa altura em que, embora ainda não estivesse em vigor o dever cívico de recolhimento, já havia um esforço, à escala nacional, de se ficar em casa para travar uma doença que, diziam-nos os relatos vindos de Itália, prometia fazer estragos. A 11 de março, de 2020, já muitas escolas tinham encerrado e vários responsáveis de empresas começavam a fechar portas, pautados pela incerteza de não saber quando (ou se) as voltariam a abrir.

De 2 a 11 de março, o número de infeções por COVID-19 passaria de 2 para 59, no mesmo dia em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) viria a declarar a doença como uma pandemia. Em apenas cinco dias, reforçando a evolução negativa do surto no País, o número de pessoas infetadas passa, a 16 de março, para 331 — dia em que se lamenta também a primeira morte devido à doença, de um homem de 80 anos.

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Só a 18 de março seria decretado, por Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro estado de emergência desde o 25 de abril de 1974. De repente, Portugal inteiro ficou obrigado a estar confinado em casa.

Ainda estávamos no início do combate ao surto, mas os profissionais de saúde já não tinham mãos a medir e o vírus já nos tinha tirado a proximidade, o abraço e o estar.

Recordamos os momentos-chave do início do surto da COVID-19 em Portugal, numa altura em que faz exatamente um ano do período entre 11 e 18 de março que antecedeu o primeiro estado de emergência.

  • 11 de março. Nesta altura, Portugal regista já 59 casos de infeção por COVID-19. A OMS eleva a doença ao estatuto de pandemia e os tribunais de primeira instancia passam a funcionar apenas para lidar com processos que envolvam direitos fundamentais.  No mesmo dia, a Federação Portuguesa de Voleibol e de Basquetebol suspendem todas as partidas. Com Portugal inteiro a mobilizar-se para ficar em casa, ainda que não haja estado de emergência, e muitas empresas e escolas a fechar, as praias de Carcavelos os jardins de Lisboa enchem-se de gente, gerando reportagens e uma grande comoção na opinião pública;
  • 12 de março. Registam-se 78 casos de infeção por COVID-19 e o governo de António Costa manda fechar todas as escolas, pondo todos os alunos de todos os graus escolares em ensino à distância a partir de 16 de março. Com esta medida, são fechadas as discotecas (que ainda permanecem encerradas), impostas restrições à lotação dos restaurantes e de centros comerciais e proibido o desembarque de cruzeiros. País é colocado em estado de alerta.
  • 13 de março. Há, agora, 112 casos de infeção registados. As competições de futebol e futsal são postas em suspenso, assim como todas as missas, catequeses e outras cerimónias religiosas.
  • 14 de março. Número de casos sobre para 169. Nesse dia, a ministra da Saúde, Marta Temido, fala ao País anunciando que Portugal entrou "numa fase de crescimento exponencial" da pandemia;
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  • 15 de março. Registam-se 254 casos de infeção por COVID-19 e há agora nove pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos. Marcelo Rebelo de Sousa convoca uma reunião extraordinária de Conselho de Ministros para decidir se decreta ou não o estado de emergência. Nesse mesmo dia,  monumentos, museus e palácios são fechados e é proibido o consumo de bebidas alcoólicas na via públicas. Da mesma forma, passam a estar proibidos os eventos com mais de 100 pessoas;
  • 16 de março. O número de casos de infeção sobe para 331 e Marta Temido anuncia a primeira morte por COVID-19: um homem de 80 anos. A circulação aérea entre Portugal a Espanha é suspensa;
  • 17 de março. Numa altura em que se sabe que há 30 profissionais de saúde infetados, o Serviço Nacional de Saúde é reforçado. Em Ovar, os casos de infeção continuam a aumentar e o concelho fica sob estado de calamidade pública com uma "quarentena geográfica". No mesmo dia, são anunciadas novas linhas de crédito para as empresas afetadas. O valor é de 3 milhões de euros. Marcelo Rebelo de Sousa, até então em isolamento voluntário em casa, termina o seu período de quarentena e desloca-se, após os testes de despiste serem negativos, ao Palácio de Belém;
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  • 18 de março. Depois do Conselho de Estado, o parlamento vota, com votos favoráveis de PS, BE, CDS-PP, BE, PAN, pela implementação do primeiro estado de emergência desde o 25 de abril.  À noite, Marcelo Rebelo de Sousa comunica ao País, explicando o que em cima da mesa estão medidas excecionais como o confinamento obrigatório e a restrição à livre circulação na via pública. O decreto entraria em vigor às 00 horas de 19 de março.

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