A ideia era simples: visitar os hotéis, experimentar todas as suas valências e testar as medidas de segurança instaladas na era pós-confinamento. Mal sabíamos nós era que esse confinamento estava prestes a voltar e, ainda que com os hotéis e os restaurantes abertos, as regras voltam a apertar.

Foi então com toda a fé e vontade de aproveitar uma pequena bolha anti Covid que rumámos ao Porto para duas noites especiais: uma no Crowne Plaza, na Boavista, e uma segunda no InterContinental, ali mesmo de frente para a Avenida dos Aliados.

InterContinental Porto
Morada: Praça da Liberdade, 25, Porto
Preço: quarto duplo 140€/150€

Crowne Plaza
Morada: Avenida da Boavista, 1466, Porto
Preço: quarto duplo 100€/120€

Logo à entrada do Crowne, dois tapetes desinfetantes e um dispensador de gel, que fazem com que, em dois tempos, grande parte do Covid fique lá fora. Entre nós e o rececionista está uma proteção de acrílico, que não cria barreias ao bem-receber tão característico da gente que nasceu a Norte. Avisam-me logo que o quarto está mais minimalista e que o minibar está vazio, porque o quarto fica numa quarentena de 48 horas entre cada ocupante. O minimalismo nunca me perturbou — antes isso do que jarras assustadoras e quadros na parede que provocam pesadelos — e os preços exorbitantes daqueles mini frigoríficos nunca me entusiasmaram a pedir uma amostra de Martini Bianco para beber com uns amendoins que, claramente, são banhados a ouro.

Ainda assim, à nossa espera, uns pastéis de nata e uma garrafa de Vinho do Porto. "Então mas não era suposto o quarto estar em quarentena? É que estes pastéis estão tão estaladiços que não é possível que estejam a hibernar há dois dias". Mas Glória Peixe, diretora de vendas e Marketing do hotel, esclarece: "Os quartos ficam fechados durante dois dias e só entra alguém momentos antes do cliente seguinte, para deixar esses mimos. Sempre devidamente equipada, para evitar contaminações". Ainda bem, é que a esta hora, os pastéis já tinham ido.

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Neste momento, estão a funcionar apenas com 30% da capacidade e com três selos de garantia de qualidade e segurança. Na prática, tiraram mobiliário do lobby e objetos de decoração do quartos, reforçaram a limpeza, instalaram acrílico em todas as zonas de receção, acabaram com toda a papelada que nos dá as boas vindas no quarto e trocaram tudo isso por um menu digital e um kit com uma máscara e um gel desinfetante à nossa espera em cima da cama.

Sem nos apercebermos, há uma câmara termográfica que nos mede a temperatura à entrada e, não há direção que o nosso olhar tome que não tenha na mira mais um dispensador de gel desinfetante.

E é dentro desta bolha anti Covid que seguimos sem medo para o restaurante Somos, que ainda há muito para viver aqui antes de ir dormir.

Tem um terraço privado, mas com a noite a pôr-se às seis da tarde e uma chuva que nos minou o fim de semana, optámos pelo interior, todo em madeira e cheio de plantas, numa decoração sem grandes folclores, mas que dão uma sensação de conforto e, principalmente, bom gosto.

Toda esta boa impressão cresce assim que os pratos nos chegam à mesa. De um lado, um salmão com cogumelos e puré de pastinaca, do outro um umas lascas de bacalhau com puré de grão e um ovo a baixa temperatura mesmo a pedir que ali se misture tudo para dar cremosidade.

No dia seguinte, voltamos a encontrar-nos no Somos, desta vez para o pequeno-almoço, que deixou de ser buffet para passar a ser servido à mesa. Só com o básico — pão, compotas, manteigas, queijo, croissants, sumos e cafés — já ficávamos bem. Mas ainda podemos pedir ovos e panquecas, para que nada nos falte neste segundo dia no Porto.

Uma noite no InterContinental, o hotel com vista sobre o Porto — literalmente

Da Boavista para os Aliados são 13 minutos de distância, mas o cenário é outro. Daquela avenida sem fim, com muitos carros e menos pessoas, passamos para uma praça onde a primeira coisa que fazemos é estacionar o carro, até porque dali, vai-se a pé para todo o lado.

Tenho em crer que pode vir quem vier querer construir por aquelas bandas, que nunca vai conseguir igualar a vista que se atinge de qualquer um dos quartos do InterContinental. É que à nossa frente está uma das avenidas mais concorridas do Porto — aquela onde se festejam resultados de eleições ou campeonatos.

Abre-se a cortina e tem-se cidade, fecha-se e tem-se uma paz que de repente parece que estamos nos subúrbios. É até confuso passar a porta para a rua e levar com o Porto na cara. É que ali no InterContinental, tudo é calmo e seguro, não só porque o hotel está a menos de metade da capacidade, mas principalmente porque a segurança é a aposta número um.

Mais uma vez, há tapetes desinfetantes e gel por todo o lado. Por fazerem parte do mesmo grupo hoteleiro — o InterContinental Hotels Group — as regras são semelhantes e, nos quartos, há menos decoração, mas o mesmo kit de boas vindas com máscaras e pastéis de nata.

Os quartos ficam num quarentena de 48 horas e o ginásio, ainda que disponível, tem que ser reservado, para que a equipa de limpeza desinfete toda a sala, que fica disponível apenas para uma pessoa.

E ainda bem que é assim, que estes hotéis não têm só almofadas e colchões de qualidade, os restaurante são igualmente incríveis e há que tentar um equilíbrio entre um ou outro agachamento e mais um cesto de pão caseiro com azeite. Quente, de fermentação natural.

É assim que começa o nosso jantar no Astoria, o restaurante do InterContinental, que deixou de estar na fachada — espaço que vai ser ocupado por uma loja da Apple — para ficar agora nas traseiras, ainda que aberto a quem passa na rua — que, acredito, terá mais dificuldade em perceber que aquele espaço também é para si. O que é uma pena, porque o que é servido aqui não deve nunca ser mantido entre portas.

Depois de um couvert cheio deste pão caseiro mergulhado em azeite, chegamos aos grelhados, os reis da ementa. Pode escolher entre polvo, lavagante, bacalhau ou o peixe do dia. Se for para a carne, também não fica mal servido, com opções com presa de porco bísaro ou Black Angus. Ficamos com pena de não ver por ali nem uma opção vegetariana para prato principal, ainda que o chef se tenha proposto a fazer um arroz caldoso de cogumelos e trufa. Ótimo, mas devia estar na carta.

Os acompanhamentos são mais que muitos e vêm nuns tachinhos amorosos: arroz de cogumelos, ragout de castanhas, cogumelos e cebolinhas, puré de batata com trufa, migas de espinafres, feijão frade e broa, são algumas das opções.

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Ainda a recuperar do banquete, voltamos ao local do crime na manhã seguinte, para que seja servido o pequeno-almoço (até às 10h30) ou o brunch (a partir das 10h30 até às 18h30, todos os dias). Ainda que a linha entre os dois seja muito ténue. Ora veja.

Astoria
É destas panquecas que estamos a falar, ok?

O pequeno almoço começa com a chegada à mesa de pão, pastelaria, compotas, queijo, manteiga. Mas tudo o resto pode ser pedido à carta, e quando falamos de tudo o resto, falamos de bowls de açaí, ovos Benedict, tostas de abacate e ovo escalfado, salsichas, bacon, cogumelos, panquecas, waffles e rabanadas com compota de maçã e canela.

Ai Porto, o difícil é sempre ir embora.

*A MAGG ficou alojada a convite do Crowne Plaza e do InterContinental

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