Atenção: este texto contém spoilers sobre "Pamela Anderson, Uma História de Amor", documentário que chega à Netflix a 31 de janeiro. 

Sem maquilhagem, de galochas, montada num pequeno trator, na sua casa de infância, algures numa ilha no Canadá. Esta é a Pamela Anderson que o mundo desconhece e que está retratada no novo documentário da Netflix "Pamela Anderson, Uma História de Amor". Realizado por Ryan White, o filme conta com Brandon Thomas Lee, o filho mais velho da atriz, como produtor.

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E é ele, juntamente com o irmão, Dylan (que surge esporadicamente no documentário), que nos confirma que a bomba sexy que vimos, nos anos 90, a correr de forma perfeita e elegante nos areais da Califórnia, foi e é, afinal, uma mãe carinhosa, que fez tudo para que os filhos não sofressem as consequências da exposição mediática e do fim de um casamento turbulento com o músico (e pai dos filhos) Tommy Lee.

Mas já lá vamos.

"Pamela Anderson, Uma História de Amor" serve para nos lembrarmos do que foram realmente os anos 90, década que formatou cânones da cultura pop que ainda hoje persistem: a cultura dos papparazzi e de perseguição das celebridades, a objetificação das mulheres famosas e a forma desequilibrada como os media e a opinião pública as tratam, sendo paradoxalmente complacentes e permissivos para com os homens. E se houve paciente zero dessa experiência, foi Pamela Anderson. A loira mais famosa da história do século XX depois de Marilyn Monroe, símbolo de sexualidade (mas também de exploração sexual e de lucro de terceiros), de fragilidade, mas também dona de um sentido de humor desconcertante e de uma aguda consciência do seu papel e responsabilidade na história "louca", como descreve muitas vezes no documentário, da sua vida.

A história da cassete com gravações de cenas íntimas de Pamela e Tommy Lee (que foi retratada na série da Disney + "Pam & Tommy", feita sem autorização da atriz) é contada na primeira pessoa, e é estupidamente simples. Mais simples do que as consequências que o casal sofreu: perseguições de papparazzi, o deteriorar do casamento e, a pior de todas, o fim da carreira de Pamela. O documentário mostra a atriz, em entrevistas, em talk shows, a ser abertamente brindada com comentários sexistas e de mau gosto, que seriam impensáveis em 2023, como perguntas diretas sobre os implantes mamários, de figuras reputadas como David Letterman e Jay Leno. E, passadas mais de duas décadas, vemos o desgosto e a tristeza na cara de Pamela.

"Eu sabia que, naquele momento, a minha carreira tinha acabado"

Ironicamente, são os diários e as gravações caseiras que Pamela Anderson cedeu sem restrições ao realizador da série que contam a história da sua vida, desde a infância, marcada pela violência doméstica (os pais voltariam a casar-se, estão juntos até aos dias de hoje e aparecem no documentário) e pelos abusos sexuais. Pamela revela que foi abusada sexualmente, primeiro em criança, por uma ama, depois, mais tarde, quando era adolescente, por um homem mais velho.

De sensação da "Playboy" à ascensão ao estrelato em "Marés Vivas", a vida de Pamela é uma viagem alucinante ao início da década de 90. A atriz, atualmente com 55 anos, fala sem tabus de todos os relacionamentos, dos cinco casamentos, um dos quais, o mais marcante, com Tommy Lee. Pamela e Tommy casaram-se em fevereiro de 1995, quatro dias depois de se terem conhecido. E, enquanto vemos as imagens eternizadas em fitas VHS e depois DVD, apercebemo-nos (e a própria Pamela apercebe-se) da forma desconcertante, quase ingénua, como se amavam.

Pamela Anderson e Tommy Lee em 1995
Pamela Anderson e Tommy Lee em 1995

Pamela Anderson e Tommy Lee foram também as primeiras cobaias do poder destruidor da Internet. A cassete (que, na realidade, era uma compilação de várias cassetes, roubadas de um cofre de casa do casal, durante um período em que estava em obras) foi difundida através de sites e, apesar de terem tentado impedir este processo recorrendo à justiça, nada conseguiram fazer. "Tornas-te uma caricatura. Acho que, depois disso, se deteriorou a imagem que eu tinha", lamenta.

E se o escândalo não teve consequências de maior para Tommy Lee, pelo menos publicamente, para Pamela significou o fim da sua carreira. "Foi diferente para ele. Ele é uma estrela de rock. Só promove mais aquela imagem de loucura. Mas eu sabia que, naquele momento, a minha carreira tinha acabado", conta. O caso acabaria por agravar os problemas já existentes na relação, com Tommy Lee a ser cada vez mais agressivo e a não controlar o consumo de álcool.

Nem todas as histórias têm redenção. Mas a de Pamela tem. O ativismo pelos direitos dos animais e o regresso à representação, desta vez aos palcos, estão também documentados em "Pamela Anderson, Uma História de Amor". E porque é de (des)amor que é feita a vida de Pamela, vemo-la, entre risos e lágrimas, a falar dos cinco casamentos, o último dos quais com o guarda-costas Dan Hayhurst, que terminou em janeiro de 2022 e durou pouco mais de um ano. "Prefiro estar sozinha do que não estar com o pai dos meus filhos. É impossível estar com outra pessoa. Mas acho que não posso estar com o Tommy. É como se fosse um castigo", conclui.

Vivienne Westwood
Pamela Anderson.

Além do documentário, disponível a partir de 31 de janeiro, estará no mesmo dia no mercado "Love, Pamela", livro de memórias onde a atriz relata em detalhe todos os pormenores da sua vida pessoal e profissional.

O livro de memórias de Pamela Anderson chega às livrarias a 31 de janeiro
O livro de memórias de Pamela Anderson chega às livrarias a 31 de janeiro

Sem recorrer a um escritor-fantasma, Pamela Anderson escreveu as suas próprias memórias, além de ter colaborado na edição da obra, como contou em entrevista a Howard Stern.

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