Este domingo, 4 de julho, na estreia do novo reality show da TVI, "O Amor Acontece", uma das concorrentes, Catarina, de 21 anos, comentou com Tiago, com quem foi emparelhada no programa, que tinha herpes labial. O engenheiro agrónomo de 24 anos pareceu ficar incomodado com a situação e mostrou receio de contrair o vírus. Mas, afinal, de que forma se transmite o herpes labial? Que cuidados devemos ter? É um vírus que se pode apanhar em qualquer idade ou situação?

Para responder a todas estas questões, a MAGG falou com Manuela Paçô, dermatologista no Hospital Lusíadas Lisboa, e Leonor Girão, especialista em dermatologia e venereologia, que explica que o herpes labial é uma infeção provoca por um vírus, designado herpes simplex, e que existem duas grandes formas de exposição. "O herpes tipo um é mais frequente no herpes labial e o tipo dois no genital", afirma Leonor Girão.

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Apesar de esta ser uma doença viral bastante prevalente, a verdade é que ainda existe algum desconhecimento por parte da população. Em 2016, cerca de 3,7 bilhões de pessoas com menos de 50 anos (67% da população mundial) teve infeção pelo vírus do herpes (oral ou genital), revelam os dados divulgados em 2020 pela Organização Mundial de Saúde. Contudo, esta é uma infeção que pode ser assintomática (o que faz com que as pessoas não saibam que estão infetadas) ou sintomática e visível. Nas pessoas que apresentam sintomas, o herpes oral manifesta-se geralmente através de pequenas bolhas e feridas abertas, chamadas úlceras, sendo o local mais prevalente a boca ou perto dela.

Leonor Girão explica à MAGG que este é um vírus que se transmite por contacto direto. "A forma mais frequente é através de beijinhos ou de contacto com as partículas virais que podem estar em objetos com os quais a pessoa contactou. Como, normalmente, é ao nível dos lábios, quando alguém tem herpes labial e dá um beijo a outra pessoa, ou a outra pessoa vai beber através de um copo que já tenha sido utilizado por uma pessoa com vírus num curto espaço de tempo, transmite-se", refere a especialista, salientado que o vírus não aparece sem motivo.

"O que pode também acontecer é haver alturas em que as pessoas estão com herpes labial e o vírus é visível, ou outras vezes em que a pessoa pode não ter sintomas e ser possível, através da saliva, passar o vírus para outra pessoa. Ainda assim, as concentrações não são as mesmas e é muito mais frequente a passagem quando a pessoa está com vírus ativo do que quando está na fase assintomática", explica.

Apesar de a probabilidade de contrair herpes quando há contacto direto com a pessoa infetada ser muito eleva, Leonor Girão explica que tudo dependerá do sistema de defesa dos indivíduos com os quais o vírus contacta. "Se a nossa pele e o nosso sistema de defesa estiver íntegro em absoluto, podemos não apanhar o vírus."

É na adolescência que é mais frequente

Manuela Paçô, médica dermatologista, refere ainda que os casos de herpes aparecem frequentemente na adolescência, não por os jovens apresentarem um sistema imunitário mais debilitado, mas por terem uma vida social mais ativa. Além disso, segundo a dermatologista, há também situações que fazem com que as pessoas tenham mais probabilidade de desenvolver herpes.

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"Uma pessoa que está infetada, em situações de diminuição do sistema imunitário pode ter herpes. Outras situações podem ser provocadas pelos raios ultra violeta ou pelo frio extremo, pelo stresse ou pelo aparecimento da menstruação, no caso das mulheres", explica. Quanto aos casos em crianças, o aparecimento de herpes é pouco frequente, uma vez que os adultos costumam ter mais cuidados, explica a especialista.

Tendo em conta a forma como o vírus se transmite, cabe assim à pessoa com vírus ter alguns cuidados de higiene redobrados quando este está ativo. Segundo Leonor Girão, a pessoa com herpes labial ativo deve, primeiro, começar por lavar as mãos com frequência e limpá-las numa toalha individual, ou num material que seja descartável, para que outras pessoas não utilizem e não haja contacto direto.

"É uma coisa básica que já é uma medida de higiene para qualquer vírus, mas que se acentua neste caso. Depois, não é também suposto as pessoas beberem pelo mesmo copo. A loiça deve ser lavada de forma normal, mas não deverá haver partilha de talheres, pratos, copos (...) para que não haja passagem do herpes. Outra das coisas mais importantes é, no contacto íntimo, ter-se cuidado com as zonas lesadas e evitar o contacto", explica a especialista.

O vírus do herpes pode aparecer em qualquer idade e de igual forma em ambos os sexos. Por ser um vírus que se instala nos nervos, permanece para sempre no nosso corpo e pode, a qualquer altura, ser reativado, reforça ainda a dermatologista. Quanto ao tratamento, a forma mais eficaz de fazer desaparecer o vírus é, segundo Leonor Girão, através de medicação oral que, normalmente, deve ser feita entre cinco a oito dias (dependendo da gravidade das manifestações).

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