Existem várias formas de terapia. Há quem encontre o equilíbrio no ioga, quem só consiga começar o dia depois de fazer um treino intenso ou quem encontre na cozinha o seu método terapêutico — que talvez explique a emergência de tantos padeiros e cozinheiros em quarentena.

Contudo, tal como nenhuma destas terapias foram descobertas durante o isolamento, o mesmo acontece com aromaterapia. Já tem séculos de história e anos de memórias em que víamos avós e pais de frasquinho na mão para tratar a tosse que não acalmava nem com chás de casca de cebola.

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Agora, os frasquinhos voltam em força. Dos anónimos às celebridades, como Alexandre Da Silva que partilhou recentemente o seu kit terapeutico nas redes sociais, são vários os que usam os óleos essenciais para pôr em prática a aromaterapia.

Chegámos aqui e ainda só reteve a palavra terapia? Explicamos em que consiste: "Através do aroma que inspiramos com óleos essenciais, o que vai acontecer é que este entra no nosso nariz e tem uma conexão direta com o sistema límbico [responsável pelas emoções e comportamentos sociais] que comanda uma série de estímulos do nosso organismo e a partir daí acaba por se manifestar", explica à MAGG Helena Leitão, bancária e wellness advocate da marca doTERRA.

No fundo, é um método terapêutico que envia estímulos ao cérebro influenciando todo o corpo, como é o caso das emoções que andam ao rubro na quarentena — e que ora não nos deixam dormir à noite, ora deixam-nos sem energia para enfrentar mais um dia de confinamento.

Como pode a aromaterapia ajudar na quarentena?

Em casa de Helena Leitão os difusores são já uma presença assídua, mas nem sempre estão ligados. Contudo, a quarentena veio alterar a dinâmica. Agora estão sempre ligados, e os aromas são alterados conforme o que faz sentido para cada momento.

Isto porque há momentos em que o stresse e a ansiedade exigem aromas como lavanda, cedro, flor de camomila romana e baunilha, que podem ajudar também a ter uma maior concentração — essencial agora que os miúdos estão de volta à escola (e telescola). "Todos os óleos que têm origem em raízes são muito bons para nos enraizar, fazer-nos descer à terra e não andar em stresse", diz Helena Leitão.

Se por um lado há quem procure tranquilidade, por outro há quem procure ter motivação para enfrentar o dia a dia sem poder sair de casa. Para isso, os mais indicados são os aromas cítricos. "Todos os cítricos são indicados para elevar o nosso humor. Estamos a falar de limão, a tangerina, a lima, e a bergamota, que além de elevar o humor é ótima para a ansiedade", refere Helena.

"Aromaterapia não significa usar um difusor"

Os aromas dos óleos essenciais podem ser inalados, mas esta não é a única maneira de tirar proveito da terapia. Há no total três formas: tópica, aplicando os óleos diretamente no corpo através de uma massagem, por exemplo, aromática e através da ingestão.

"Aromaterapia não significa usar um difusor. Podemos colocar num lenço de papel. Podemos usar como perfume", diz Helena, acrescentando que o método mais eficaz vai depender do objetivo. Se há uma dor nos músculos ou na barriga, o mais indicado pode ser usar os óleos diretamente na zona afetadas.

O mesmo acontece com a celulite. Sim, a aromaterapia também dar uma ajuda na vulgar casca de laranja. Neste caso, são os óleos aplicados em cremes que podem ajudar a acalmar esta comum inflamação do tecido celular.

Já se estivermos a falar de ingestão, a repercussão pode ser completamente diferente: "Os óleos essenciais atuam de forma intracelular, ou seja, eles conseguem penetrar através da membrana celular para dentro da nossa célula. Portanto, vão ter uma eficácia no nosso organismo diferente de um medicamento. Enquanto este fica à volta da célula, o óleo consegue penetrar dentro da célula", explica Helena Leitão.

Acrescenta ainda que se o método escolhido for inalar os aromas através de um difusor, este deve operar a frio, uma vez que aqueles que trabalham a quente ou com velas podem fazer com que se percam as propriedades dos óleos.

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Tudo o que coloca a palavra terapia parece necessitar de um prefixo relacionado com medicina, mas não precisa de ser um terapeuta para aplicar os métodos da aromaterapia. Ainda que de inicio possa exigir uma adaptação e acompanhamento, ao longo do tempo acaba por ser uma prática natural.

"É muito simples, acaba por ser intuitivo. Tanto, que os meus filhos hoje em dia já sabem qual o óleo que vão utilizar para aquilo de que precisam. E nós, até mesmo pelo olfato, conseguimos perceber: 'Bem, acho que hoje está a apetece-me isto'", diz Helena, mãe de Tiago, 15 anos, e de Gonçalo, 12.

"Não me lembro da última vez que fui à farmácia comprar um medicamento"

A aromaterapia nada tem que ver com as sensações agradáveis que o aroma de uma vela pode transmitir, o que significa que o seu impacto no nosso organismo é também diferente. O que talvez não imaginasse é que pode ser muito significativo.

"Nunca mais fui à farmácia. Mudei radicalmente a vida nesse sentido. Posso dizer que vou à farmácia só para comprar o fio dental que uso. Não me lembro da última vez que fui à farmácia comprar um medicamento. Não me lembro da última vez que precisei de ir ao médico porque fiquei doente. A mesma coisa acontece com os meus filhos", revela Helena Leitão.

Está é então uma terapia que pode afastar-nos de hospitais, de acordo com a experiência de Helena, atuando de forma eficaz em sintomas como os da gripe: desde o limão para a dor de garganta ou a hortelã-pimenta para a febre. Mais mais do que aliviar sintomas, a aroma terapia parece então permitir a sua prevenção. 

Além de Helena Leitão, que deixou de recorrer à farmácia, pelas redes sociais circulam outros testemunhos de quem encontrou na aromaterapia a sua farmácia caseira: "Comecei desde nova a conhecer as plantas e os seus variados fins, mas foi quando comecei a utilizar os óleos que tudo mudou. Deixei os medicamentos para as dores de cabeça, para a asma e hoje vivo de uma maneira mais tranquila, mais saudável e feliz", diz a utilizadora de Instagram Evessence.

Também Mariana Rascão descobriu nos óleos uma solução para o seu bem-estar. "A minha caminhada com óleos essenciais começou por causa de um problema respiratório. Experimentei vários medicamentos, mas um dia descobri um roller com eucalipto e hortelã. A minha respiração melhorou muito, ganhei o bichinho e comecei a investigar", conta à MAGG.

Desde então que o conhecimento tem crescido, tal como as partilhas através do Instagram. De todos os que já conhece, há um que Mariana destaca: "Um dos meus favoritos é uma mistura que todas as mulheres deviam conhecer — com hortelã-pimenta, cravo-da-Índia, helichrysun e wintergreen — é óptimo para aliviar dores menstruais (de forma natural)", conclui.

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