Foram precisos sete anos para que o sonho se materializasse para lá de uma ideia rabiscada em papel e guardada na gaveta. Foi esta segunda-feira, 29 de março, que Cristina Ferreira estreou o seu próximo grande programa na TVI que ocupará a grelha de programação entre as 19 e as 20 horas ao longo da semana. Falamos, claro, de "Cristina ComVida", uma espécie de continuação do projeto que a apresentadora começou com "O Programa da Cristina", na SIC, mas sobre o qual agora detém o controlo total para fazer um formato à sua imagem.

E muito do que se viu foi semelhante. Há uma casa, conversas a acontecer em várias divisões e uma narrativa contínua que vai sendo intercalada com refeições na cozinha, troca de roupa no quarto e o abrir de portas de cada vez que a campainha toca — num exercício claro de simular uma verdade que se vive dentro de qualquer casa.

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A pensar naqueles que não tiveram oportunidade de acompanhar a estreia, a MAGG mostra-lhe tudo o que aconteceu ao longo do formato que, excetuando um ou dois momentos, teve pouco de marcante.

A casa de Cristina Ferreira abre portas (outra vez)

Uma casa, Cristina Ferreira como anfitriã e conversas intimistas interrompidas pela azáfama da vida rotineira. Os mais atentos reconhecerão semelhanças com "O Programa da Cristina", da SIC, e não há nada de errado nisso. Afinal, a mente que o idealizou é a mesma.

Gravado naquela que foi a primeira casa do "Big Brother", quando se estreou na TVI, os luxos daquela que era, na altura, a casa mais vigiada do País, deram lugar à nova casa de Cristina Ferreira — com cozinha, sala de estar e muito espaço ao ar livre.

Para cada divisão, um momento de convívio que ia sendo protagonizado pelos vários convidados que a apresentadora fez questão de receber ao longo da emissão que passará a compor o horário das 19 às 20 horas durante a semana.

As lágrimas de Cristina Ferreira

Logo nos primeiros momentos da estreia, a apresentadora é surpreendida com uma mensagem num avião que, na altura, se encontra a sobrevoar a casa. "Cristina, o sonho começa agora", é a mensagem que a câmara foca e que, de imediato, é intercalada com a imagem de Cristina Ferreira a chorar.

As lágrimas, sabemos desde que o formato foi anunciado, têm uma explicação: este o programa de sonho que a apresentadora tentou levar para a SIC, e que chegou a ser ligeiramente aplicado em "O Programa da Cristina", embora não à imagem daquilo que a apresentadora tinha idealizado. Até porque, tal como a própria já explicou, o formato teve de ser profundamente alterado para que pudesse caber em três horas nas manhãs da SIC.

Tal como em casa, neste programa também se anda de um lado para o outro

Porque este estúdio simula uma casa real, com pessoas reais lá dentro que andam de um lado para o outro, também neste "Cristina ComVida" raramente se está parado. Cristina Ferreira, apresentadora e anfitriã, vai da cozinha para a sala, da sala para o corredor e do corredor para a porta sempre que a campainha toca com a chegada de convidados.

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"Não tarda nada e estou a tirar os sapatos", ouve-se a dizer a certa altura, depois de já ter andado para a frente e para a trás.  Como numa casa, também aqui se anda para toda a parte e são raras as vezes em que a câmara está parada num só sítio. Isso ajuda a que o programa não se torne estanque nem aborrecido, mas serve também de pretexto para que o espectador conheça, nesta primeira episódio, todas as divisões do estúdio.

Os convidados foram diferentes e estiveram à conversa

E porque uma casa também serve para receber visitas, elas foram entrando ao longo de toda a emissão. As primeiras foram Telmo e Célia Ferreira, o casal que se juntou durante o primeiro "Big Brother" (e com Telmo a saltar de uma grua); depois o chef Rúben Pacheco, que recentemente trocou a TVI pela SIC; mais tarde dois irmãos padres que aproveitaram para desejar uma boa estreia à apresentadora; e, por fim, Miguel Moura, um dos concorrentes de "All Together Now" — que surpreendeu Cristina Ferreira e os jurados do programa com a interpretação do tema "Para os Braços da Minha Mãe", de Pedro Abrunhosa.

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Depois de serem apresentados e de conversarem com Cristina Ferreira, juntavam-se todos num ponto de encontro, neste caso, a cozinha, para conversas de grupo e sempre descontraídas, tal como o ambiente que uma casa promove.

Tanto o é que, quando a câmara alterna entre divisões no exercício de acompanhar Cristina Ferreira, é mostrado ao público as conversas paralelas que os convidados vão mantendo entre si, ainda que sempre com o microfone desligado. Há uma vertente de verdade num programa que simula, mais do que qualquer outra coisa, a normalidade de estar em casa.

A única diferença é que, em tempos pandémicos, o comum mortal não pode dar-se ao luxo destes ajuntamentos. É que nesta realidade, a do entretenimento dos canais, não há COVID-19. Eventualmente estaremos disponíveis para discutir o exemplo que é transmitido ao espectador. Ainda não é agora, parece.

O dueto de Pedro Abrunhosa e Miguel Moura

Um dos momentos mais ou menos memoráveis da estreia surge com a sugestão de pôr Pedro Abrunhosa a cantar com Miguel Moura que, em "All Together Now", interpretou um tema seu.

Antes disso, a conversa: Pedro Abrunhosa elogia o jovem que já sonha em ser cantor e se encontra neste momento a preparar o primeiro disco de originais, e agradece-lhe a coragem de levar, para um programa de talentos, um tema feito e pensado em português e que retrata uma realidade dura em Portugal quando muitos jovens foram obrigado a sair do País em busca de novas oportunidades.

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Miguel Moura agradece os elogios e recorda como, após a sua prestação do programa "All Togetehr Now", recebeu uma mensagem do cantor a elogiar-lhe, pela primeira vez, a prestação. "Primeiro pensei que era daqueles perfis falsos que se criam, mas depois percebi que era mesmo o próprio. Foi emocionante", explicou.

No final da conversa, a câmara afasta a imagem e ao lado do sofá vemos um piano que, tocado por Abrunhosa, serve de condutor para que tanto ele como Miguel Moura protagonizem o dueto.

Eduardo Madeira é o alívio cómico do programa

De homem das obras a taxista, Eduardo Madeira é o escolhido do programa para ser personagem principal em "Cristina ComVida". Caracterizado pelo exagero e um humor de fácil compreensão a todos os espectadores, porque a televisão tem de ser para todos, Madeira foi irrompendo estúdio a dentro para trazer algum caos à normalidade do estúdio — ora enquanto o chef Rúben Pacheco fazia o jantar, ora enquanto os convidados conversavam.

No final do programa, que acaba de forma estranha e sem qualquer sentido de conclusão, o humorista surge a encarnar uma personagem feminina que diz não gostar da TVI. "Não dou audiências a esse canal. A Cristina Ferreira? Já viu como ela apareceu ontem no 'All Together Now'? Não gosto e não vejo, pronto."

Na verdade, e Cristina Ferreira sabe-o bem, todos veem. Principalmente os que dizem não gostar.

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