Atenção: este artigo contém revelações sobre a quinta temporada da série "The Crown"

Para lá do final do casamento de Carlos e Diana, do incêndio que destruiu o palácio de Windsor, das transformações políticas no Reino Unido e dos escândalos nos tabloides, a quinta temporada de "The Crown" traz de novo à luz do dia momentos históricos da família real britânica, nem todos motivo de orgulho.

Os fãs da série da Netflix podem matar a curiosidade já esta quarta-feira, 9 de novembro, dia em que chegam à plataforma de streaming os 10 episódios protagonizados por Imelda Staunton (rainha Isabel II), Dominic West (príncipe Carlos, agora rei) e Elisabeth Debicki (princesa Diana). No quarto episódio, os amantes de História podem reavivar a memória e os menos conhecedores dos acontecimentos políticos do início do século XX aprender os motivos que levaram o rei Jorge V (avô da rainha Isabel II) a trair o seu primo direito, Nicolau II, o último czar da Rússia.

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O rei britânico era filho de Alexandra da Dinamarca (mulher do rei Eduardo VII do Reino Unido) e o czar russo filho de Dagmar, mais tarde Maria Feodorovna, imperatriz da Rússia. Jorge e Nicolau mantinham uma relação próxima e eram até fisicamente parecidos.

O czar Nicolau II da Rússia e o rei Jorge V de Inglaterra
O czar Nicolau II da Rússia e o rei Jorge V de Inglaterra créditos: Wikipedia

Em 1917, Nicolau II abdica do poder, em plena Revolução Russa, que transformaria o império numa república e, em 1922, daria origem à União Soviética. O czar, patriarca da família Romanov, tinha a expectativa que o primo intercedesse junto do governo britânico para que lhes fosse concedido asilo e pudessem, assim, fugir da Rússia em segurança. Mas tal não aconteceu e os Romanov (os imperadores Nicolau e Alexandra, juntamente com os cinco filhos, Olga, Tatiana, Maria, Anastasia e Alexei) foram executados às mãos do exército bolchevique, depois de um período de exílio em Ecaterimburgo.

No quarto episódio de "The Crown", a história é simplificada, dando a entender que a responsabilidade da recusa de exílio esteve nas mãos do rei Jorge V. No entanto, os factos são mais complexos. David Lloyd George, primeiro-ministro na altura, teve um papel fundamental neste processo (era, aliás, ao governo que caberia, em última instância, a decisão final sobre uma oferta de asilo aos Romanov). Inicialmente, o primeiro-ministro terá aceitado, embora com alguma cautela, a sugestão do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Pavel Milyukov, de uma oferta de asilo ao czar Nicolau II e à respetiva família.

No entanto, tanto o rei Jorge V como o seu secretário particular, Lord Stamfordham, começaram a ver com inquietude a vinda da família imperial, devido às reações do público britânico relativamente à revolução que estava a acontecer na Rússia. O monarca e o seu conselheiro temiam que a presença dos Romanov gerasse uma onda crescente de ressentimento em relação à própria família real britânica, o que poderia desencadear uma tentativa de mudança de regime. Em abril de 1917, pouco mais de um ano antes da execução dos Romanov, o governo liderado por David Lloyd George retirou a oferta de asilo à família imperial russa. 

familia imperial russa
Da esquerda para direita: Olga, Maria, Nicolau II, Alexandra, Anastasia, Alexei e Tatiana. créditos: Wikipedia

O quarto episódio de "The Crown" retrata ainda a descoberta dos restos mortais dos Romanov e o complexo processo de identificação dos corpos, que começou em 1991 e durou até 2015, com novos testes de ADN pedidos pela Igreja Ortodoxa Russa, que reafirmaram a certeza de que dois dos corpos descobertos eram dos imperadores Nicolau II e Alexandra.

A série "Os Últimos Cazares", também da Netflix, retrata o fim da dinastia Romanov.

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