Os morangos já começaram a invadir os supermercados, os mercados e até as bancas de rua. São um fruto típico do início da primavera, com um consumo que se prolonga durante todo o verão. É um fruto vermelho, logo é pouco calórico, rico em água e em antioxidantes que protegem o organismo. Mas também podem ser fonte de problemas de saúde, caso não compre a versão biológica.

Os morangos e espinafres fazem parte do grupo a que se dá o nome de “Dirty Dozen”, ao qual também pertencem as nectarinas, as uvas, os pêssegos, as cerejas, as pêras, tomates, o aipo, as batatas e o pimentão doce.

As frutas e verduras menos infectados são os Clena 15. Da lista fazem parte o abacate, o milho, o ananás, a couve, a cebola, o kiwi, a papaia, os espargos, a manga, a beringela, a couve-flor, os brócolos, o melão e a meloa.

De acordo com o relatório divulgado esta terça-feira, 10 de abril, pelo Envirtonmental Working Group, que fez testes em amostras de frutas e vegetais do U.S Department of Agriculture (apenas às que não cresciam organicamente), os morangos e os espinafres são o fruto e vegetal com as maiores quantidades de resíduos de pesticida. No caso dos morangos, os testes deram resultado positivo para 20 diferentes pesticidas, enquanto os espinafres mostraram conter o dobro de resíduos por peso comparativamente a qualquer outro fruto ou vegetal.

O potencial cancerígeno

Segundo a Quercus — Associação Nacional de Conservação da Natureza, os pesticidas são “são substâncias com capacidade para matar organismos, supostamente indesejáveis”, com efeitos que podem “não se restringir às espécies indesejáveis”, resultando em “efeitos adversos para a saúde humana e ambiente.”

Além de também estarem na origem da contaminação da água e dos solos, o envenenamento e outros riscos para a saúde estão entre os problemas da utilização de pesticidas na agricultura.

Apesar de haver uma lista de produtos permitidos e de haver um limite da quantidade utilizada imposta por lei que pretende assegurar que não há nenhum risco para a saúde, há o problema do efeito cumulativo.

“A lei não permite que se excedam determinadas doses, mas o problema é que acabamos por consumir mais do que essa quantidade porque podemos comer vários produtos com pesticidas — os morangos têm, a alface têm, as courgettes têm”, diz a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do livro “Superalimentos”.

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De acordo com um estudo publicado na JAMA Internal Medicine, em que cientistas reuniram 325 mulheres para medir que fatores podiam afetar o sucesso reprodutivo, os pesticidas podem influenciar o sucesso de uma gravidez: as mulheres que comiam alimentos com estes químicos tinham menos 18% de probabilidade de engravidar face às outras, e menos 26% de dar à luz um bebé com vida.

“A maior parte deles são potencialmente carcinogénicos”, diz a nutricionista. “Este fator, juntamente com uma má alimentação e o stresse, cria um potencial de risco muito grande para a diminuição de fertilidade e para o aparecimento de outras doenças.”

O consumo de pesticidas também poderá influenciar a produção hormonal, uma vez que estas substâncias tóxicas alojam-se no fígado, órgão ligado ao metabolismo.

“Pode alterar a diminuição hormonal da tiroide, o que vai influenciar o peso, podendo refletir-se num aumento ou diminuição muito bruscos", explica. "Entre os sintomas estão também o défice de atenção, dores de cabeças e suores grandes que normalmente as pessoas não conseguem entender a origem”, explica.

Segundo Mafalda Almeida, ainda não se conhecem os reais efeitos destas substâncias. “Os estudos são muito recentes e muitos dos pesticidas são novos. Não foi possível ainda fazer investigações laboratoriais que observassem o comportamento do corpo à sua exposição durante 80 anos, por exemplo.”

A melhor forma para contornar este problema passa por comprar frutas e legumes biológicos. Mas, “não o podendo fazer, é fundamental lavá-los muito bem com água corrente e, se possível eliminando a casca, que é a zona mais contaminada.”

No caso dos morangos e de outros produtos em que isto não seja possível — e que podem estar contaminados na polpa — o ideal é mesmo comprar a versão orgânica.

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