"O pão engorda", "quem quer perder peso não pode comer pão", "hidratos de carbono não se comem depois das 17h": estas são frases que já todos ouvimos ao longo da vida (principalmente quando tentamos procurar a receita ideal para perder peso) e que surgem muitas vezes associadas a mitos sem fundamento.

Desconstruir a ideia do que é ou não saudável é precisamente o principal objetivo de Maria Novais Da Fonseca. Licenciou-se em nutrição em Portugal, mas foi em São Paulo, no Brasil, que estagiou e se especializou mais tarde em Doenças do Comportamento Alimentar.

"O que a acontece a maioria das vezes é que se confunde nutricionismo com cálculos de calorias e de micro e macronutrientes, e a verdade é que as ciências da nutrição são muito mais do que isto", começa por explicar à MAGG, assumindo que nunca pensou que o trabalho que desenvolve fosse passar por discordar de várias opiniões que insistem que há alimentos saudáveis e não saudáveis. "Desmistificar isto acaba por ser o meu exercício diário", assume, referindo que são estas ideias, muitas vezes partilhadas por não especialistas, que fazem com que as pessoas se sintam culpadas por aquilo que comem.

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"Healthy but not on a diet" é o nome da página de Instagram que criou com o intuito de falar sobre nutrição de uma forma pouco vulgar. "Descobri que era uma forma também de dar a conhece uma outra abordagem ou uma visão sobre a alimentação que não tem de ser com base em dietas."

Na opinião de Maria Novais Da Fonseca, o pão carrega um enorme estigma, mas não é, nem deve ser, um problema para aqueles que não apresentam qualquer tipo de doença celíaca. "Faz parte da nossa cultura alimentar, faz parte da nossa roda dos alimentos e o que poderia ser um momento bom e de prazer torna-se um verdadeiro tormento para muitas pessoas que o veem como proibido". Deste modo, a nutricionista aconselha a mantê-lo na alimentação.

Quando consumido ao pequeno-almoço, o pão é, segundo a nutricionista, fonte de energia para o resto do dia e reduz o cansaço e a sonolência. O segredo do consumo está então na qualidade e quantidade que ingerimos. Mas aqui a dificuldade torna-se outra: saber que tipo escolher. E se lhe dissermos que a decisão é bem mais simples do que se pensa? Maria Novais Da Fonseca defende que o melhor pão é o tradicional, "aquele que se encontra em qualquer padaria" e que é feito com apenas três ingredientes (água, farinha e fermento).

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"Se um pão só precisa de três ingredientes, não faz sentido comprar um que tem extra fibra e extras de outras coisas da moda, mas que tem também vários aditivos alimentares, por exemplo". Neste sentido, o principal aspeto a ter em consideração quando pensamos em consumir ou não este alimento é apenas saber se a pessoa em causa apresenta algum tipo de doença celíaca identificada.

"A doença celíaca é um problema real que deve ser acompanhado com todo o cuidado. No entanto, não é recomendado restringir nenhum alimento ou nenhum nutriente sem ter um diagnóstico de intolerância ou alergia feito por um médico", refere a especialista. Quanto à quantidade que podemos ou não comer, a nutricionista explica que irá sempre depender de pessoa para pessoa, mas salienta a importância de continuarmos a consumir aquilo de que gostamos, sempre com consciência.

Para quem quiser preparar uns pãezinhos caseiros, Maria deixa ainda uma sugestão muito fácil de fazer. "Não é preciso despender muito tempo para comer comida boa e saborosa". Ora veja:

Receita de pão da nutricionista Maria Novais Da Fonseca
créditos: healthy.but.not.on.a.diet/Instagram

Ingredientes: 

— 2 iogurtes naturais
— 3 copos (de iogurte) de farinha
— 1 colher de chá de fermento
— 1 colher de chá de sal
— Pode ainda junta sementes de girassol ou linhaça (fica ao gosto de cada um)

Modo de preparação: 

Pré-aqueça o forno a 200ºC;
Misture todos os ingredientes numa taça e amasse;
Faça bolinhas do tamanho que quiser;
Leve ao forno durante 15 minutos.

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