O empresário brasileiro Junior Durski, dono da cadeia de restaurantes Madero, defendeu na sua conta de Instagram esta segunda-feira, 23 de março, que o país não pode parar por causa da COVID-19, e que o impacto que essa paralisação terá será muito mais grave do que o número de mortes como consequência da pandemia.

Num vídeo que causou enorme polémica, em que apresentou um discurso na linha do que tem defendido o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Durski manifestou-se contra o "lockdown" (bloqueio) do Brasil, defendendo que o país não tem capacidade para parar, tal como outros estão a fazer, devido às consequências económicas que, segundo o empresário, "vão ser muito maiores do que as pessoas que vão morrer com o coronavírus".

Apesar de afirmar que se devem isolar os idosos e pessoas com problemas de saúde, como os diabéticos, garante que o país não pode parar "por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer", reconhecendo, ainda assim, que isso é um problema.

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O vídeo continua com Durski a dizer que são muito mais graves as mortes nos últimos anos por assassinato, desnutrição ou até por tuberculose, como aconteceu em 2018, em que morreram 5400 pessoas. "Agora vão morrer 5 mil pessoas pela coronavírus que não podemos evitar. Não podemos fechar tudo, esconder do inimigo e não trabalhar".

O dono dos restaurantes Madero refere que a sua opinião não está relacionada com o impacto do bloqueio na sua empresa, com a qual não está preocupado, mas sim com as pessoas que têm pequenos negócios.

"Essa é a minha mensagem: acho que tem de ser mais realista para esse negócio todo. Vai dar certo, continuo a achar. O Brasil é um povo valente, guerreiro, trabalhador. Com fé em Deus e agora colocando um voto de confiança nas autoridades, nas decisões de Deus, que iluminem a cabeça dos nossos governadores, dos nossos dirigentes dos estados e do Brasil".

O facto de Junior Durski relativizar a morte das 5 ou 7 mil pessoas com COVID-19 suscitou várias críticas: "O seu comentário é desastroso e é um desserviço para os brasileiros. O senhor esquece que só teremos milhares de mortos justamente por causa das precauções de isolamento que estão sendo impostas pelos governadores. Se estas precauções de isolamento não forem seguidas o números pode chegar em torno dos MILHÕES", diz um seguidor. Outros acrescentam ainda que "pode morrer 5 ou 7 mil pessoas, só não pode o rico ficar sem lucro, né?" ou "fala igual o velhinho Bolsonaro, tá explicado".

Depois de ser arrasado, Junior Durski decidiu então fazer outra publicação em vídeo, esta terça-feira, 24 de março, cuja descrição começa por dizer: "Por favor, me desculpem se fui mal interpretado!".

O empresário volta a sentar-se em frente à câmara, desta vez para dizer que se preocupa com cada uma das pessoas que já morreu ou vai morrer com COVID-19, mas defende que as medidas não podem ser desproporcionais e levanta várias questões.

“Esse isolamento é muito bom, mas é bom para os ricos. Não estou falando mal de ricos, eu também sou, mas, minha mãe de 82 anos, está completamente segura, sozinha no apartamento dela, mas e as outras pessoas que não têm, que estão na favela?", diz o empresário e acrescenta: "Fechem todos os jogos de futebol, os cinemas, os teatros, tudo que tenha aglomeração pública, mas mantenham a escola aberta para as crianças irem comer. As crianças têm que comer merenda, elas vão ficar com fome? ".

Durski volta a referir que está a pensar nos pequenos empresários e nas pessoas com maior vulnerabilidade social. "Me desculpe se alguém me interpretou mal, eu nunca vou menosprezar uma vida. Vou fazer tudo para ajudar todas as pessoas e ajudar todas as ações. Mas não podemos ser desproporcionais e não pensar nas consequências económicas", termina.

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O discurso de Junior Durski vai no mesmo sentido das ideias defendidas por Jair Bolsonaro, que ainda esta terça-feira, 24, disse em comunicado às estações de televisão brasileiras: "O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos sim voltar à normalidade".

Durski já revelou, de acordo com o jornal "Paraná Portal", que se o presidente Jair Bolsonaro se recandidatar às eleições presidenciais em 2022, terá o seu voto.

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