As imagens de Bucha continuam a chocar o mundo após mostrarem as atrocidades cometidas pela Rússia. Apesar de o país invasor da Ucrânia ter desmentido o massacre de Bucha, novas imagens de satélite já vieram comprovar que os corpos estavam nas ruas de Bucha há semanas.

Os países da União Europeia estão atentos ao que aconteceu e analisam as sanções a aplicar à Rússia como forma de mostrar que estão contra as ações militares que, especialmente no caso de Bucha, são verdadeiras atrocidades contra a vida humana. Foram encontrados corpos de mãos atadas nas costas e tantos outros assassinados e deixados pelas ruas da cidade que foi alvo de um "genocídio planeado", nas palavras do conselheiro do presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak.

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Esta terça-feira, 5 de abril, estão previstos mais sete corredores humanitários na Ucrânia, sendo dois deles o de Zaporijia e de Mariupol, segundo a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, na rede social Telegram.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell, vão fazer uma visita oficial a Kiev e encontrar-se com Volodymyr Zelensky. Não se sabe o dia exato mas deverá acontecer ainda esta semana.

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Fim das importações energéticas da Rússia

Os 27 membros da União Europeia (UE) estão a ponderar as sanções que devem aplicar à Rússia após o massacre em Bucha. Em cima da mesa está o fim das importações energéticas, atitude que prejudicaria em larga escala a economia russa.

A Europa paga cerca de 600 milhões de euros por dia em gás à Rússia, tendo por isso uma dependência na ordem dos 40%. Isto significa que o boicote ao gás russo ia impedir o país de "fazer cerca de 400 novos tanques T-72 ou 200 novos tanques T-80", o correspondente a apenas um dia de receitas energéticas da UE, segundo o Conselho Europeu, citado pelo "Diário de Notícias".

No entanto, a existe alguma apreensão por parte da Alemanha, assim como da Áustria, não só relativamente ao boicote total às importações de gás, como de petróleo e carvão russos.

Que outras hipóteses estão em cima da mesa? Reforçar o poder militar da Ucrânia e há países que já mostraram o seu apoio nesse sentido. É o caso da Alemanha, que vai continuar a disponibilizar armas à Ucrânia, tal como afirmou o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, segundo o mesmo jornal.

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Também os Estados Unidos anunciaram a mesma intenção. "Precisamos de continuar a fornecer as armas necessárias à Ucrânia para continuar a lutar e precisamos de reunir todos os detalhes para que possamos avançar com um julgamento por crimes de guerra", disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, citado pela Associated Press, segundo o jornal "SOL".

Outra das medidas que já foi aliás aplicada tem que ver com a expulsão de 40 diplomatas russos da embaixada de Berlim, que os declarou como “persona non grata”, diz em comunicado o governo alemão.

Zelensky considera sanções insuficientes

Na habitual declaração diária, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou num vídeo divulgado esta segunda-feira à noite, 4, o facto de ter sido preciso um massacre em Bucha para os países do Ocidente começarem a pensar em sanções mais severas contra a Rússia.

“Era realmente necessário esperar por isto para pôr de lado as dúvidas e a indecisão? Tinham de morrer em agonia centenas [de ucranianos] para os líderes europeus finalmente entenderem que a Rússia precisa de pressão mais severa?”, questionou Volodymyr Zelensky. "Se já tivéssemos o que precisávamos — todos esses aviões, tanques, artilharia, armas antimísseis e antinavios, poderíamos ter salvado milhares de pessoas. Não vos culpo— culpo apenas os militares russos. Mas vocês poderiam ter ajudado. Continuarei a dizer isso na cara de todos aqueles de quem depende a decisão sobre o envio armas para a Ucrânia", rematou.

O presidente ucraniano mostrou-se indignado sobre a reação dos líderes da UE e a revolta sobre o que aconteceu em Bucha está também a pôr em causa as negociações com a Rússia.

Volodymyr Zelensky afirmou esta terça-feira, 5, numa estação de televisão ucraniana que "é possível" que não haja uma reunião com Vladimir Putin. O presidente ucraniano acrescentou ainda que negociar nesta altura é "bastante desafiante", mas não há outra opção para pôr fim à guerra.

O presidente da Ucrânia vai estar esta terça-feira falar pela primeira vez no Conselho de Segurança da ONU, reunião cujo especial foco será o que aconteceu em Bucha.

Imagens de satélite provam ataques em Bucha

Segundo o antigo presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, as imagens de Bucha não passam de "propaganda cínica" na Ucrânia e afirmou ainda que são uma encenação de "agências de relações públicas" a troco de "enormes quantias de dinheiro", cita a CNN Portugal.

Contudo, apesar de o Kremlin querer desmentir o que as imagens de corpos nas ruas de Bucha comprovam, há agora imagens de satélite que não deixam margens para dúvidas. Mostram que os corpos já estavam ali há mais de três semanas, segundo a análise feita pelo "The New York Times". O jornal comparou as imagens de satélite durante vários dias, entre 9 de março e 2 de abril.

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