Quando a rolha salta no teto e as flûtes (copos nos quais deve ser servido o espumante) estão inclinadas para receber o espumante que já borbulha, é sinal de que está tudo a postos para brindar à chegada de um novo ano. Para uns, um qualquer espumante serve para empurrar as passas, para outros, tem de ser à altura do momento. Já os mais supersticiosos poderão até achar que se não for um bom espumante, o brinde não vai trazer um bom ano.

Posto isto, e antes de avançarmos para os fatores a ter em conta na escolha de uma garrafa, é preciso perceber a que custo se celebra o Ano Novo com um bom espumante.

"Quando falamos dos preços dos espumantes 'o céu é o limite'. Dependendo do método, do tipo e da exclusividade do espumante, podemos ter valores (por garrafa de 0,75 litros) que vão desde os 2 euros aproximadamente (alguns Asti´s ou Prosseco´s, por exemplo) até aos 1.400.000 euros aproximadamente, do raro e exclusivo champanhe Goût de Diamants, Taste of Diamonds", explica à MAGG o enólogo Carlos Rodrigues.

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Como nem todos temos à mão mais de um milhão de euros, e centenas também será difícil, o especialista da Adega Mayor, refere alguns que poderão ser mais em conta. "Um Asti ou um Cava [tipos de espumante] são relativamente acessíveis e podem proporcionar uma boa experiência entre os 5 e os 10 euros, assumindo um estilo mais fácil e frutado", afirma. "Por outro lado, se procuramos algo mais elaborado para um acompanhamento específico, já com algum tempo de estágio e que nos remete para notas mais terciárias e complexas (brioche, torrada, creme de pastelaria, etc.…) é possível encontrar um bom exemplo de espumante ou champanhe entre 20 e os 80 euros", continua.

Neste último ponto, o enólogo já se estendeu no que era pretendido — algo que não pese na carteira após os gastos do Natal — mas tem uma razão de ser. É que os espumantes não servem só para brindar na passagem de ano, podem também acompanhar uma refeição.

Explicamos tudo neste guia completo.

Qual a diferença entre um espumante e um champanhe?

Uma pergunta clássica. É incontornável falar sobre a diferença entre espumante e champanhe, uma vez que ainda resistem algumas dúvidas. De forma simples, espumante é tudo o que não é produzido na região de Champagne, em França. De forma complexa, tem de ser o enólogo Carlos Rodrigues a explicar.

"A legislação francesa é bastante rigorosa e o nome 'champanhe' é protegido por lei, ou seja, só pode ser denominado de champanhe o vinho espumante elaborado na região de Champanhe, com as três variedades de uva autorizadas (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier) e através do método clássico ou champanhês. Assim, podemos afirmar que '...qualquer champanhe é um espumante, mas nem todo espumante é um champanhe...'", ainda que se usem as mesmas uvas e métodos, refere Carlos Rodrigues.

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O enólogo da Adega Mayor aprofunda ainda mais a questão e, depois de diferenciar, explica as semelhanças (que por vezes levam à então confusão entre as designações). O espumante e o champanhe têm ambos dióxido de carbono que "resulta da segunda fermentação natural de um vinho 'base' já fermentado" que dá então origem à bebida com que se brinda na passagem de ano.

"O modo como se dá a segunda fermentação começa a definir a diferença entre um espumante e um champanhe, ou seja, no caso dos espumantes, a segunda fermentação pode ocorrer em garrafa (método tradicional ou 'champanhês') ou em depósito (método 'charmat'). Já nos champanhes, a segunda fermentação segue sempre o método tradicional ou champanhês e ocorre em garrafa", acrescenta o enólogo.

Os espumantes têm categorias, tal como o vinho?

Nos vinhos, sabemos que a escolha recai sempre o entre o tinto, branco ou rosé. E nos espumantes? Também existe essa diferenciação? Sim. E dois deles até tem um nome charmoso.

"Existem espumantes brancos, tintos e rosés, e para além da cor, a diferença está no vinho base e sobretudo no tipo de uvas utilizado", refere Carlos Rodrigues.

As uvas brancas dão origem a um espumante branco apelidado de “blanc de blancs”, enquanto as uvas tintas dão uma cor mais carregada ao vinho e resultam em três tipos de espumantes: espumantes brancos, neste caso um “blanc de noirs” mais encorpados; espumantes rosé, delicados e com uma "doçura aromática de um tinto (fruta vermelha)"; e espumantes tintos, "encorpados, com estrutura tânica, com notas de fruta vermelha/preta no nariz, que normalmente pedem comida para os acompanhar".

Por falar nisso.

Espumante na refeição de passagem de ano. Sim ou não?

Um grande sim e uma lista interminável de sugestões para harmonizar. Inicialmente falávamos de que os espumantes podem acompanhar uma refeição e quem o confirma é o enólogo da Adega Mayor que, de qualquer modo, não deixa de apontar o principal motivo de abrir um espumante.

"Naturalmente o espumante é uma bebida para marcar celebrações e ocasiões especiais. Contudo, é cada vez mais vez mais cobiçado para 'desafiar' à mesa. Combina muito bem com diferentes alimentos e revela-se um excelente complemento para determinadas experiências gastronómicas", explica.

A chef Justa Nobre é um exemplo de que este tipo de bebida, no seu caso um champanhe, pode entrar na mesa e acompanhar um prato principal, como faz todos os anos no almoço de Natal — para dia 25, reserva um champanhe para acompanhar o tradicional cabrito.

Eis mais algumas sugestões do enólogo Carlos Rodrigues para acompanhar a refeição. 

  • Entradas: "Neste momento da refeição pede-se algo mais leve, não tão encorpado, fresco, com aromas de fruta branca ou flores, bolha fina e sem açúcar residual, pelo que, qualquer espumante vindo de um método 'charmat', (Prosecco ou Asti) seco estilo 'Brut', branco ou rosé serão certamente uma boa opção".
  • Principais: "Pratos de sabor intenso e apurado pedem champanhes e espumantes secos (brutos), mais encorpados e de estrutura firme. Podem ser brancos, rosés ou tintos, de origem no método clássico com segunda fermentação em garrafa e estágio sobre borras o que lhes confere volume de boca e complexidade; receitas mais leves e aromáticas, pedem opções mais frescas, espumantes novos que fermentam em garrafa com curtos períodos de estágio sobre borras ou espumantes que seguem o método 'charmat'. Devem de ser espumantes ou champanhes secos ou meio-secos (algum açúcar residual) que em determinado momento ou prato completem de forma harmoniosa a degustação".
  • Sobremesa: De uma forma ou de outra, espumante e sobremesa sempre conviveram de muito perto. Neste momento da refeição, qualquer espumante fresco e delicado faz boa companhia. Contudo, um tipo de espumante mais doce é aconselhado, como tal, um espumante branco ou rosé que contenha uma concentração de açúcar superior a 60 gramas por litro (grau de doçura percetível), acidez saliente e elevado grau de cremosidade será certamente uma boa companhia. Os espumantes elaborados com Moscatel são, sem dúvida, uma referência".

Os segredos para escolher o espumante certo para as 12 badaladas

O "estilo de espumante ou champanhe que lhe dê mais prazer" é, no fundo, o segredo para optar por um bom espumante. O enólogo lembra que "Dom Pérignon, o criador de uma das mais famosas referências de champanhe, dizia que não há forma melhor de saudar o ano que se inicia, se não, com estrelas imortais..." e isso pede uma flûte elegante e um espumante que agrade ao gosto de cada um.

"É recomendável que para este momento, cada um opte pelo estilo de espumante ou champanhe que lhe dê mais prazer, que lhe recorde os momentos bons da vida, que lhe imprima satisfação e celebração", conclui o enólogo Carlos Rodrigues.

Para então recordar os "momentos bons" esta passagem de ano, deixamos algumas sugestões até 10€.

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