Em altura de apresentação das novidades da RTP para os próximos meses, fizemos José Fragoso, diretor de programas do canal público, olhar para o futuro. O exercício surge sem qualquer frete, até porque foi o próprio a admitir, durante a apresentação desta quinta-feira, 16 de setembro, da nova grelha da estação, que ficariam "muitos programas" e várias séries "por elencar".

Uma delas, cuja produção está confirmada desde setembro de 2020, é "Codex 632", que adapta o livro de 2005 de José Rodrigues dos Santos, escritor e pivô da RTP. A ideia para a adaptação surgiu há cerca de 12 anos, quando Fragoso também ocupava o cargo de diretor de programas do canal antes de se mudar para a TVI, em 2011.

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Depois de regressar ao canal público, em 2018, uma adaptação que esteve em cima da mesa foi "O Mágico de Auschwitz", também de José Rodrigues dos Santos. Mas o custo de uma série sobre a Segunda Guerra Mundial e com vários cenários de batalha seria demasiado elevado para o orçamento da RTP.

"Voltámos ao projeto inicial, que é a adaptação do romance em que nasce uma personagem, que é o Tomás de Noronha", explicou, em setembro de 2020, José Rodrigues dos Santos. Na altura, a estreia da série — que o escritor e pivô descreveu como um thriller — foi chutada para meados de 2022. Agora, no entanto, José Fragoso aponta para mais tarde, mas dá o contexto necessário para que se entenda o porquê.

A série que adapta o livro de José Rodrigues dos Santos "já está escrita"

É que uma série de televisão demora, habitualmente, cerca de quatro anos desde o momento em que é pensada até que está no ar.

"Na apresentação da nova grelha, vimos séries de que estamos a falar há três anos. Por vezes, as pessoas perguntam-nos: 'Mas isso nunca mais está feito?'. Ou dizem coisas como, 'mas já falaram disso várias vezes'. Fizemos questão de mostrar já hoje algumas dessas séries para que as pessoas vejam que estão prontas", refere o diretor de programas.

josé fragoso
O diretor de programas da RTP fala da renovação de "Pôr do Sol" como uma "ideia obrigatória" créditos: Pedro Pina/RTP

Nas suas palavras, uma série de televisão precisa de tempo.

"Para começar a escrita, para que se volte a ela mais tarde e para que tenha maturidade. Além disso, estamos a trabalhar em várias séries que não são só financiadas pela RTP e que tem co-produtores [é o caso de "Glória", uma co-produção da SPi e da RTP que vai estrear-se em simultâneo na RTP1 e na Netflix]. Temos de ter esse tempo para que uma determinada série seja feita como queremos", reforça.

Especificamente sobre "Codex 632", José Fragoso garante-nos que "já esta escrita".

"Durante este ano, os episódios foram escritos e trabalhados com o próprio José [Rodrigues dos Santos]. Vai ser uma série co-produzida internacionalmente, com um ou mais co-produtores, e julgo que em 2022 esse tema estará fechado" para que seja dado início às gravações.

No entanto, o diretor de programas do canal garante que "Codex 632" será uma série para estrear-se apenas em 2023 — no linear e no streaming, através da RTP Play, que o próprio considera ser "uma forma fundamental de distribuição" dos conteúdos do canal. "As pessoas têm muitos conteúdos e não conseguem gerir o seu tempo. Não têm as mesmas rotinas" e, assim, vão adequando o conteúdo ao seu estado de espírito e ao tempo de que dispõem.

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No futuro está também "O Programa Cautelar", que José Fragoso diz que começará a gravar "um ou dois programas ainda este ano", à medida que Filomena Cautela vai delineando alguns dos temas da nova temporada do formato.

"Os restantes episódios [são sete, no total] serão gravados no próximo ano e a estreia será em 2022", diz-nos.

Fazer uma segunda temporada de "Pôr do Sol" era uma "ideia quase obrigatória"

Uma das grandes novidades da apresentação da nova grelha da RTP foi a da renovação da minissérie "Pôr do Sol", escrita por Henrique Cardoso Dias e produzida e realizada por Manuel Pureza, para uma segunda temporada.

Sobre se decisão era óbvia, José Fragoso concede que "era uma ideia quase obrigatória".

"Começámos a trabalhar em 'Pôr do Sol' há quase um ano e agarrámos naquilo a tempo inteiro. Era uma série que só podia estrear-se em agosto e esse plano conseguiu cumprir-se. Dado o sucesso da primeira temporada, a ideia de se fazer uma segunda era quase obrigatória", diz-nos.

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Elogiando a equipa criativa, os atores, os técnicos, e o próprio Manuel Pureza que, nas suas palavras, "conseguiu tornar possível todos os impossíveis", foi claro desde o início para a RTP que tinham um formato vencedor. Até porque, o facto de decorrer em linha, com episódios novos todos os dias, "impediu que as pessoas perdessem o rasto da série" e possibilitou que "fizesse um milhão de espectadores no linear e depois, através do não-linear, que se tornasse tendência no digital".

A renovação para uma segunda temporada "esteve pensada logo desde o início", até porque, adianta José Fragoso, "é uma série para a qual há milhões de ideias".

Marco Delgado, que dá vida ao co-protagonista Eduardo Bourbon de Linhaça, confirma esta ideia. "Já estive a falar com o Henrique [Cardoso Dias, argumentista] e ele disse-me que, para esta nova temporada, já tem os clichés todos que faltaram na primeira. E faltam muitos", diz à MAGG.

"Não me quis dizer quais são, mas houve muitas personagens que desapareceram da história e que vai obrigar a que se tenha de reinventar muita coisa. Mas eles são muito criativos e vão conseguir fazer qualquer coisa de surpreendente", adianta.

Marco Delgado
Marco Delgado teve um ano repleto de projetos, desde "Prisão Domiciliária" a "Pôr do Sol" créditos: Pedro Pina/RTP

"'Pôr do Sol' foi um registo muito interessante e inesperado para mim, que partiu da genialidade de três pessoas [Henrique Cardoso Dias, Manuel Pureza e Rui Melo] e que proporcionou um encontro muito especial entre atores, técnicos e produtores. Era fascinante como estávamos a dizer as maiores baboseiras, mas num registo muito sério", refere, adiantando ainda que há inúmeras cenas cortadas desses momentos.

O ano correu bem a Marco Delgado. Além de "Pôr do Sol" e da segunda temporada de "As Três Mulheres", de que também faz parte e que vai estrear-se em breve "num registo muito interessante", o ator foi ainda o protagonista de "Prisão Domiciliária", da OPTO SIC, a série escrita por João Miguel Tavares, Rodrigo Nogueira, Tiago Pais e Catarina Moura, em que dá vida a um ex-ministro condenado a prisão domiciliária depois de serem descobertos vários casos de corrupção.

"Fizemo-la em 22 dias. Foi uma loucura, mas a personagem tinha um lado caricatural que foi trabalhado. A série estava muito bem escrita e tinha uma personagem com as camadas todas. A caricatura foi surgindo naturalmente porque percebemos que este homem [poderoso e megalómano], tinha de ser espalhafatoso. Porque estas pessoas gostam de ser ouvidas e aplaudidas. Mas isso fez com que me sentisse um bocadinho desconfortável nesse registo", admite.

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A casa da sua personagem na série foi o Hotel da Lapa, em Lisboa, que estava fechado devido ao surto da COVID-19 no País. Agora aberto, não sabe se isso significará que não poderá haver uma segunda temporada.

"Deixa-me um bocadinho triste se não houver uma segunda. A acontecer, teria de se reinventar muita coisa porque o hotel já abriu. Mas foi, sem dúvida, uma das personagens que mais gostei de fazer. Enquanto ator, prefiro trabalhar o lado mais duro e negro porque me é mais fácil, mas o outro lado [como aquele que explorou em 'Pôr do Sol'] traz-me mais desafios porque estão mais longe de mim. Ando aqui numa confusão de incertezas, mas experimentar vários registos é o que me deixa feliz."

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