Vamos lá parar uns segundos para respirar e fazer uma revisão à matéria dada. Afinal, o que éque sabemos sobre o COVID-19? Que é um novo coronavírus detetado na China no final de 2019 e que se transmite por gotículas respiratórias que resultam da tosse, dos espirros ou até da comunicação oral, ou do contacto das mãos com uma superfície ou objeto infetado. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, enquanto o SARS-CoV-2 significa “síndrome respiratória aguda grave — coronavírus 2”, a COVID-19 é a doença provocada pela infeção do coronavírus SARS-CoV-2.

Sabemos também que os primeiros sintomas são semelhantes aos da gripe — febre, tosse, dificuldade respiratória e cansaço — e que já está espalhado um pouco por todo o mundo, conforme mostra a Organização Mundial de Saúde.

No top dos países com mais casos confirmados está a China (80422), a Coreia (5328) e a Itália (2502), mas por todos os continentes vão surgindo mais casos de infeção. Em Portugal foram já registados seis casos que têm algo em comum com a maioria do países: o maior número de infetados corresponde a uma faixa etária superior a 70 anos, idade em que o organismo tem tendência a estar mais débil, e a desenvolver doenças como a diabetes ou problemas respiratórios crónicos.

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Contudo, o coronavírus preocupa muitos pais que se questionam até que ponto os filhos estão seguros, ainda que a taxa de casos fatais em crianças até ao momento seja de 0,2% — o número mais baixo entre todas as faixas etárias. Ainda assim, há escolas a fechar em Itália, visitas de estudo canceladas e uma preocupação crescente.

Para esclarecer todas as dúvidas, a MAGG falou com a pediatra Filipa Marujo, interna de Pediatria no Hospital Dona Estefânia (Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central), que explica porque é que as crianças têm resistido ao vírus, bem como as medidas que os pais devem ou não tomar para proteger os filhos.

Qual é a expressão dos casos de coronavírus nas crianças?

Na China, onde o surto começou, as crianças representam apenas 2,4% de todos os casos relatados de COVID-19 (a doença causada pelo SARS-CoV-2), de acordo com o relatório de janeiro emitido pela Organização Mundial de Saúde em conjunto com as autoridades Chinesas.

Entre 19 de janeiro e 3 fevereiro de 2020, foram confirmados dez casos de infeção por SARS-CoV-2 em crianças admitidas em três hospitais na China. Um estudo posterior, referiu que apenas nove crianças com menos de 12 meses necessitaram de internamento. Entre estes casos encontrava-se um recém-nascido de uma mãe infetada com SARS CoV-2 cujo teste deu positivo 30 horas após o seu nascimento.

Em nenhum dos casos confirmados e/ou com necessidade de internamento se registaram complicações graves ou necessidade de cuidados intensivos. A nível mundial, ainda não foram relatadas mortes em crianças.

Ainda que estejam em fase de desenvolvimento e tenham, por exemplo, problemas respiratórios e/ou baixas defesas, porque é que as crianças são menos vulneráveis ao coronavírus? 

Por razões ainda não conhecidas pela comunidade científica este vírus parece afetar mais adultos do que crianças, e estas parecem desenvolver menos sintomas e a doença nelas é mais leve. Ainda não se percebeu porquê, mas a resposta pode estar na diferença entre o sistema imunitários das crianças e dos adultos.

Isto porque à medida que se envelhece, o sistema imunitário torna-se mais fraco e pode dificultar a resposta a este novo coronavírus. Encontram-se padrões de resposta semelhantes com outras doenças virais, como é o caso da varicela. Nesta, os adultos tendem a apresentar quadros muito mais graves de doença e são mais suscetíveis a complicações.

A diferença também pode estar no padrão de resposta a infeções por parte das crianças, cuja resposta imunológica pode ser mais moderada. Isto justifica-se pelo facto das crianças terem tradicionalmente mais infeções e, que por isso, o seu sistema imunitário esteja habituado a ser frequentemente “atacado”, coordenando e regulando melhor a sua resposta ao agente infecioso.

Outra hipótese especulada pelos especialistas, é que as crianças são habitualmente “bombardeadas” com outros coronavírus, que apenas causam uma constipação sem complicações, e que com isso produzam anticorpos que ficam em circulação na corrente sanguínea conferindo proteção cruzada para o SARS-CoV-2. Esta pode ser outra das razões que justifique a clínica leve das crianças em resposta a este novo coronavírus, um quadro de coriza associada ou não a tosse.

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Os pais devem estar preocupados com este surto? 

Ainda estamos todos a aprender sobre este novo vírus. Presentemente, o SARS-CoV-2 tem-se transmitido de pessoa para pessoa através de secreções respiratórias. Suspeita-se que o vírus também possa ser transmitido pelo contato com superfícies sobre as quais uma pessoa infetada tenha tocado ou espirrado. A gravidade e a melhor forma de tratar esta infeção também ainda permanece pouco clara.

A verdade é que a incerteza e o desconhecimento são o que torna a infeção causada por este vírus ameaçadora. No entanto, existem vários aspetos que são conhecidos e semelhantes a outras infeções virais, que podem ajudar a manter as crianças (e os adultos) protegidos.

De que forma podem então ser protegidas as crianças?

São várias as ações preventivas diárias que podem ajudar a impedir a propagação de vírus respiratórios (nos quais se incluem o novo coronavírus mas também outros, como o vírus da gripe) e que devem ser implementadas pelas crianças e suas famílias.

Medidas de prevenção do coronavírus nas crianças

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão durante, pelo menos, 20 segundos;
  • Usar um desinfetante para as mãos à base de álcool, se água e sabão não estiverem disponíveis;
  • Evitar tocar na cara, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Ficar em casa enquanto se estiver doente;
  • Tapar a tosse ou espirro com o antebraço ou com um lenço de papel, colocando-o imediatamente no lixo;
  • Limpar e desinfetar os objetos e superfícies usados frequentemente.

Quando a criança adoece (por razões que não estejam ligadas ao coronavírus) devem ser tomadas precauções adicionais numa ida ao hospital?

Devem ser tomadas as mesmas medidas que são utilizadas no contexto de infeção. Perceber se existem sinais de alarme que motivem uma ida ao serviço de urgência e, se tal se verificar, tomar as medidas de prevenção habituais.

Em caso de dúvida, pode e deve-se contactar a linha de apoio do centro de contacto do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

A criança deve continuar a ir ao infantário?

De acordo com a Direção Geral de Saúde e o Ministério da Saúde não existem indicações para evicção escolar. São exceções as situações em que a criança esteja com febre, tosse e/ou falta de ar, às quais se associem, no período anterior de 14 dias, os seguintes:

  • Presença numa área onde circula o SARS-CoV-2;
  • Contacto com alguém com diagnóstico confirmado de COVID-19;
  • Permanência num estabelecimento de saúde onde estejam a ser tratados doentes com COVID-19;
  • Mais importante do que restringir a ida à escola ou infantário é ensinar às crianças de boas práticas de higiene respiratória e das mãos (lavagem frequente das mãos, não tossir ou espirrar diretamente para cima de ninguém, não tocar nos olhos, boca ou nariz sem lavar as mãos adequadamente).

Se uma criança for infetada com coronavírus, a recuperação é mais difícil do que num adulto?

Existem ainda poucos relatos da doença em crianças, mas entre aquelas que precisaram de internamento não houve registo de complicações graves ou necessidade de cuidados intensivos.

À luz do conhecimento atual, a recuperação na criança não parece ser mais complexa do que no adulto, até porque a forma de doença pelo SARS-CoV-2 é mais leve entre os mais pequenos.

Que tipo de tratamento pode ser feito?

Atualmente, não existem antivirais recomendados ou licenciados pela Food and Drug Administration dos EUA para a COVID-19. A atuação clínica inclui a implementação imediata das medidas recomendadas de prevenção e controle de infeções, tratamento de sintomas e de possíveis complicações.

Quanto às mulheres grávidas, há risco para o bebé?

Não existem ainda publicações sobre a suscetibilidade de mulheres grávidas ao SARS-CoV-2. No entanto, qualquer grávida sofre alterações imunológicas e fisiológicas que a pode tornar mais suscetível a infeções respiratórias virais, incluindo a COVID-19.

São também um grupo que pode estar em risco de doença grave, morbidade ou mortalidade em comparação com a população em geral, o que foi observado em casos de anteriores de infeções relacionadas com o coronavírus (incluindo o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave, SARS-CoV, e o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio, MERS- CoV) e com outras infeções virais (como a causada pelo vírus influenza).

De acordo com o conhecimento até à data, não parece haver transmissão vertical (placenta ou passagem pelo canal de parto) do vírus ao feto ou recém-nascido. Pode sim ser transmitido pelo contato próximo com a mãe através de gotículas respiratórias.

Outro dado importante é que o vírus não foi detetado em amostras de líquido amniótico ou de leite materno. Mais uma vez, também neste caso particular, devem ser adotadas medidas de higiene respiratória e de prevenção de infeção, não havendo indicação para evitar a amamentação.

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