Vários especialistas, entre eles médicos e farmacêuticos, avançaram esta sexta-feira, 16 de julho, com uma carta aberta dirigida ao governo e às autoridades de saúde, mostrando-se contra as "medidas extraordinárias de confinamento e supressão da atividade social e económica" e apresentaram dados da COVID-19 em Portugal, incluindo sobre a taxa de mortalidade — superior em casos não COVID-19. A comunidade da área da saúde já reagiu e apesar de considerar os números e argumentos válidos, considera que não se devem aliviar restrições, principalmente numa altura em que a variante Delta domina o País.

"Não é hora de aliviar completamente as medidas que temos. O número de casos está a aumentar, e se isto acontece, não podemos estar tranquilos", disse o médico de medicina familiar Rui Nogueira ao "Diário de Notícias".. No entender do especialista, o essencial neste momento é cumprir com as regras de proteção individual — máscara, lavagem das mãos, distanciamento social, uso de álcool gel —, bem como com o isolamento profilático quando necessário. Rui Nogueira relembra que "esta nova variante é muito mais transmissível e não se sabe quando aparecerá outra mais forte e resistente às vacinas", no entanto, não descarta o alívio de algumas medidas.

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Uma das medidas enumeradas pelo médico de medicina familiar é a reabertura de bares e discotecas através da apresentação de certificado digital, assunto que será discutido na reunião do Infarmed a 27 de julho e que está na ordem do dia após o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, admitir que o governo estaria a considerar a retoma do setor como forma de incentivar os jovens à vacinação contra a COVID-19.

Já para o presidente do Colégio de Saúde Pública da Ordem dos Médicos, Luís Cadinha, o documento apresentado pelos 22 especialistas que diziam que "é tempo de reconquistarmos o direito a viver", apresenta "dados reais", contudo, "faz uma interpretação de causa e efeito que não é correta", diz ao mesmo jornal.

O especialista lembra que a matriz de risco lançada esta semana pela Ordem dos Médicos "demonstra estarmos neste momento num nível de risco elevado e a necessitar de medidas adequadas", o que significa que um alívio de restrições faria aumentar o número de casos. Luís Cadinha vai mais longe e, contrariamente ao que é pedido na carta sobre o fim de "medidas extraordinárias de confinamento, considera que "as medidas que temos agora, como a vacinação, podem não ser suficientes para travar a replicação do vírus".

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