Foi há duas semanas que nasceu em Portugal o primeiro bebé infetado com o novo coronavírus durante a gravidez. O bebé nasceu com 34 semanas e dois dias e apresentava sintomas graves de infeção por COVID-19, como falta de ar e pneumonia — o que obrigou à transferência imediata do bebé para a unidade dos cuidados intensivos do hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, onde ainda se encontra internado.

"Era uma gravidez que tinha infeção confirmada porque sabíamos que a grávida tinha COVID-19. Como tal, o levantar da suspeita em relação ao bebé permitiu que as colheitas fossem feitas de imediato", explica Fernando Cirurgião, diretor de serviço de obstetrícia do hospital São Francisco Xavier, ao jornal "Público". E adianta que a amostra de sangue recolhida do bebé logo após o seu nascimento confirma que houve transmissão vertical do vírus da mãe para a criança.

"Importa lembrar que é um bebé prematuro por natureza. Esta doença infecciosa, a exemplo de outras, está associada a um maior risco de prematuridade. Como tal, são bebés que podem precisar desse apoio da neonatologia. Aí é que fica um bocadinho a dúvida quando à gravidade da situação", explica ao mesmo jornal.

E continua: "Comparativamente a outros bebés com esse tempo de gestação, parece-me que este poderá ter uma intensidade maior de sintomas e dificuldades que outros bebés com 34 semanas talvez não tivessem. É um bocadinho isso que leva a dizer que pode existir um componente associado à infecção materna e não só a maturidade."

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Embora esta não seja o primeiro nascimento de bebés cujas mães já estavam infetadas com COVID-19, é o primeiro caso confirmado em Portugal de transmissão vertical do vírus durante a gravidez. No início de março, a MAGG falou com Fernando Cirurgião que explicou que, àquela altura, não havia indícios de transmissão vertical do vírus de mães para fetos.

Quanto a possíveis complicações durante a gravidez, Fernando Cirurgião baseou-se em alguns dos estudos que foram sendo publicados referentes a outros surtos de infeções respiratórias virais anteriores.

"Na gravidez inicial não se pode excluir a maior probabilidade de aborto espontâneo e o risco de prematuridade ronda os 40%, podendo grande parte dos casos deverem-se, especialmente, à iniciativa obstétrica de antecipar o nascimento do feto", e garantiu à MAGG que não havia qualquer risco acrescido de morte fetal.

"Não foram encontrados indícios de vírus no leite materno, pelo que a principal preocupação não é se o vírus pode ser transmitido através do leite, mas se a mãe pode transmiti-lo através de gotículas respiratórias durante o período de amamentação. Assim, uma mãe com COVID-19 confirmado deve tomar todas as possíveis precauções para evitar transmitir o vírus ao seu recém-nascido — usando uma máscara facial durante a amamentação."

A mãe do bebé, que não pertence a qualquer grupo de risco da doença, está já a recuperar da infeção assim como o recém-nascido que continua internado na unidade de cuidados intensivos do hospital.

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