Com a pandemia, tornou-se urgente desocupar as camas nos hospitais onde permanecem pessoas, há meses e até anos, que já tiveram alta clínica, mas que continuam internadas devido à falta de resposta extra-hospitalar. Segundo a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), em maio deste ano, havia 1500 camas ocupadas com "internamentos socias", o que corresponde a 8,7% do total de internamentos.

Esta é uma situação que representa custos elevados para o Serviço Nacional de Saúde e que, tendo em conta o panorama atual, é impossível de manter, obrigando assim o Instituto de Segurança Social a adotar "medidas extraordinárias". A maioria dos doentes nesta situação são idosos que continuam internados por não terem apoio familiar e que serão agora integrados em lares e estruturas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Segundo o que o jornal "Público" apurou junto do Instituto de Segurança Social, os ministérios da Saúde e da Segurança Social têm vindo a fazer esforços para aumentar os lugares disponíveis para acolher as pessoas internadas por "motivos sociais", o que implicou um alargamento dos acordos de cooperação e a criação de "um maior número de vagas sociais", nomeadamente ao nível dos cuidados continuados de saúde mental.

"É um desperdício de camas hospitalares, de custo diário elevado, e que deveriam estar dedicadas a doentes que, por vezes, ficam a aguardar vaga no serviço de urgência", afirma  José Barros, diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário do Porto.
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O mesmo jornal adianta ainda que esta quarta-feira, de uma só vez, do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, saíram 10 destes utentes e o hospital continua a aguardar resposta para outros 15 casos. No Hospital Amadora-Sintra há oito pessoas "à espera de uma resposta". Fonte do hospital assegurou ao "Público" que "a situação já foi muito pior", mas que "com a pressão da pandemia tem havido mais articulação no sentido de aliviar estas camas". A solução arranjada foi  "contratualizar" cerca de 30 camas num lar. "É um custo que o hospital assume para garantir que tem ali uma resposta quando se torna necessário desocupar camas", adiantou fonte do hospital. Também o Hospital Garcia de Orta garante que tem feito um "esforço diário e contínuo" no mesmo sentido.

Ainda assim, a Administração Regional de Saúde de Lisboa adiantou ao "Público" que, na passada terça-feira, eram 130 o número de pessoas que, nos 13 hospitais da sua área de influência com serviços de urgência geral a funcionar, estavam internadas e identificadas como casos sociais. "A grande maioria são pessoas dependentes, sendo que 63 (48,5%) do total têm 80 ou mais anos", esclareceu a Administração Regional de Saúde de Lisboa.

No Porto, a situação é semelhante e há duas semanas foram integradas num lar 16 pessoas que permaneciam no Hospital de São João há mais de um ano. "Ficámos com outras 16 pessoas, uma das quais está à guarda do hospital desde 2018, à espera de uma solução", afirmou a diretora do serviço social do hospital ao "Público".  Segundo Alexandra Duarte, "o problema da falta de resposta atempada por parte da Segurança Social se arrasta há muitos anos e é muito anterior à pandemia". No Centro Hospitalar Universitário do Porto, há duas semanas foram também transferidos 25 utentes para lares de idosos e, segundo o responsável clínico, 26 permanecem "inapropriadamente hospitalizados" afirmando que "Quinze viviam literalmente sós. Todos são dependentes, dos quais dois por doença mental". "Alguns viviam em condições indignas ou mesmo na rua: o hospital não pode devolvê-los a essas condições", acrescentou José Barros.

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O representante dos administradores hospitalares, Alexandre Lourenço, esclarece: "Cerca de um em cada dez internamentos são desnecessários e poderíamos estar a prestar cuidados mais adequados fora das instituições a estes doentes".

No Plano de Saúde para Outono/Inverno deste ano e do próximo, o Governo admitiu "a criação de hospitais de retaguarda, especialmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto constitui uma medida eficaz de melhoria da eficiência". O jornal "Público" tentou saber junto do Ministério da Saúde se estes hospitais vão ou não avançar, e de que forma é que estão relacionados com a retirada destes doentes dos hospitais pela Segurança Social, mas não obteve resposta.

Alexandra Duarte, diretora do serviço social do HSJ e  José Barros, diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário do Porto esclarecem ao "Público" que consideram que estes hospitais de retaguarda não são necessários contando que s Segurança Social cumpra o que está previsto no plano de articulação entre os ministérios da Saúde e da Segurança Social.

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