Nos últimos tempos, sobretudo desde que começámos a desconfinar, foram muito os que pegaram nuns ténis, vestiram uma roupa de desporto e começaram a fazer exercício físico. Apesar da prática ser mais do que recomendada, pelos benefícios que tem para a nossa saúde física e mental, há que saber que nem todos os corpos são iguais. E, principalmente para quem nunca fez desporto, há cuidados redobrados a ter.

"Quando as pessoas começam uma atividade física devem pensar que quando se treina sozinho, e sobretudo quando não se tem qualquer tipo de experiência, há sempre o riscos de lesão. Dentro do que é possível, as pessoas deviam fazer sempre uma avaliação inicial para apurar o nível de condicionamento e também os possíveis fatores de risco de lesão (que muitas vezes podem ser trabalhados)", refere o fisioterapeuta António Gaspar em entrevista à MAGG.

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O que acontece com frequência é que, muitas vezes, as pessoas podem ter problemas que, quando não detetados a tempo, originam lesões graves. Segundo o especialista, se houver uma boa avaliação por parte de profissionais de saúde, na qual se perceba esses desequilíbrios ou os fatores de risco que tenham e que possam ser modificados, irá ajudar. "Não só reduzimos os riscos de lesão, como podemos alterar algum problema e passar a fazer a nossa atividade com outra qualidade e outro prazer", continua.

Atualmente, António Gaspar tem detetado mais lesões pelo facto de muitas pessoas começarem a fazer os exercícios erradamente.  "Alguns adotaram meios digitais, o que é interessante, sem sombra de dúvidas, para fazer atividade de forma autónoma. No entanto, o facto de o fazerem sem qualquer tipo de acompanhamento, acaba por gerar lesões de sobrecarga ou por más execuções técnicas", alerta.

Saber ouvir o corpo é fundamental

Neste sentido, o fisioterapeuta aconselha a que quem não tem a possibilidade de fazer o exercício com a ajuda de profissionais, opte por, dependendo da idade e dos riscos de saúde, começar de uma forma muito baixa (como andar a pé) para que se consiga ganhar uma capacidade cardiovascular progressiva.

"Se já não corremos há um ano, não o vamos começar a fazer de forma elevada. Temos de o fazer devagar e adaptar o nosso organismo a esta atividade. O importante é mexermo-nos, mas não temos de fazer altos níveis de performance física", afirma.

Mesmo utilizando o Youtube e as aplicações móveis que, segundo o especialista, têm aspetos positivos, as pessoas devem ter a sensibilidade de fazer tudo de uma forma progressiva. "Aquilo serve apenas como meio orientar, não temos de fazer assim. As pessoas têm de ter a noção de que têm de saber ouvir o seu corpo e não devem ir só atrás do que veem", continua.

No caso de pessoas com demasiado peso ou com tendência para problemas articulares, António Gaspar diz ainda que nunca se deve fazer atividades de grande impacto. "O ideal será mesmo andar a pé, fazer natação ou andar de bicicleta."

Nelson Rodrigues, licenciado em Educação Física e Desporto e mestre Exercício e Saúde, explica também que para que o exercício seja feito de forma segura e equilibrada, o corpo precisa de tempo para se adaptar a novos desafios. "Estas adaptações terão como consequência um corpo mais forte e resistente, adaptado aos estímulos do treino (sejam eles na base da força, da resistência, da flexibilidade ou da velocidade)."

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Quanto à sobrecarga, o essencial é ter atenção à qualidade e não à quantidade de exercícios uma vez que excessos podem vir a colocar em causa a nossa saúde. Nelson Rodrigues explica que estímulos muito reduzidos poderão não ser suficientes para promover ganhos de capacidades, mas isso não significa que não contribuam para um estilo de vida saudável.

Para que consigamos saber se estamos a realizar a prática da forma mais indicada, o personal trainer realça a importância de recorrer a profissionais qualificados, capazes de fazer uma avaliação do atleta (a fase mais importante antes de iniciar a atividade e muitas vezes descorada). Neste campo, Nelson Rodrigues aponta a avaliação postural como a mais imprescindível.

"Saber se tem um ombro mais baixo, se tem a coluna direita, uma perna mais curta e compreender restrições de mobilidade das diferentes estruturas. Os desalinhamentos devem ser tidos em conta no momento da prescrição do treino e por vezes chegam a ganhar prioridade face aos objetivos", explica, referindo que quando se contrata um profissional para fazer o planeamento, o treino terá maior qualidade e o risco de lesão será menor.

5 dicas para quem treina sozinho

Se não tiver a possibilidade de recorrer à ajuda de um profissional e mesmo assim quiser começar a treinar, o Nelson aconselha a que, pelo menos na primeiras duas semanas, aposte na moderação. "Os resultados serão dores que poderão ir de 48h a 72h. Esta é uma fase de cicatrização e regeneração muscular. Se perdurar mais do que este tempo, deverá recorrer a um médico para aconselhamento próprio, no entanto o gelo associado a anti-inflamatórios cutâneos são normalmente boas ajudas durante esta fase."

Se treina sozinho, Nelson aconselha ainda a:

  1. Procurar informação em sites com credibilidade ou com profissionais credíveis;
  2. Realizar o seu treino respeitando três fases essenciais: iniciar o treino de forma lenta, investindo bem no aquecimento e depois no trabalho cardiovascular e de mobilidade articular geral ou específica;
  3. Progredir para uma fase principal, onde se torna seguro aumentar a intensidade;
  4. Terminar reduzindo de forma gradual para uma intensidade mais lenta ( por exemplo abdominais e/ou alongamentos)
  5. Respeitar os sinais de dor que o corpo indica e caso sinta uma, deve procurar entender o porquê desta. "Algo pode não estar a ser bem feito e não deverá continuar a promover o que se pode vir a tornar numa inflamação com possíveis repercussões graves."

Para finalizar, o profissional deixa ainda uma referência final. "Caso seja convidado a entrar numa daquelas aulas excêntricas e anárquicas sem qualquer planeamento ou ajuste, onde a ideia é deixá-lo com dores 'porque estas são indicadoras de um bom treino' (só que não), pense duas vezes, e comece sempre com moderação, de forma progressiva e acima de tudo com qualidade", remata.

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