Não há duas sem três, mas para Hugo Rodrigues, pediatra de Viana do Castelo, tem de vir ainda a quarta. É por isso a quarta vez que lança um livro, "O Livro do seu Bebé". Este é o resultado de um percurso que começou na área de especialização, a Pediatria, passou para o blogue da sua autoria e agora está nas mesas de cabeceira de vários casais que estão a pensar ser pais.

Exato, apenas pensar. É que este livro não se foca apenas no período que começa a contar a partir do momento em que o bebé está cá fora e parece que os desafios vão ficar sérios. Contudo, se não sabia, damos já a notícia má: os desafios começam bem antes. A boa notícia é que este novo livro pode ajudar a saber que cuidados tem para promover o melhor desenvolvimento possível dos bebés desde a gravidez, período em que todos os cuidados são cruciais, até aos dois primeiros anos de vida.

Não é que o pediatra Hugo Rodrigues não tenha por hábito abordar estes temas no seu blogue, Pediatria para Todos, ou nos programas de televisão e de rádio, como na TVI ou na M80, nos quais tem presença assídua, mas criar uma espécie de guia de fácil acesso, permitira também facilitar a vida a quem quer respostas rápidas para, por exemplo, saber como como dar banho a um bebé, qual a alimentação aconselhada entre os três e seis meses ou como agir quando tem o filho doente. Aqui não estão metade das preocupações mais comuns dos pais, mas são já algumas das que o pediatra Hugo foi tomando nota e abordando ao longo dos últimos anos — porque até chegar aqui não esteve parado.

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"Quando estava a tirar a especialidade sempre tive como objetivo criar um blogue no serviço de pediatria no hospital pediátrico de onde sou natural e onde trabalho, só que na altura aquilo esbarrou um bocadinho no serviço de informática porque queriam que fosse algo muito institucional", conta o pediatra em conversa com a MAGG.

Na altura Hugo Rodrigues achou que o formato não funcionaria e deixou a ideia cair por terra, mas mal acabou a especialização em pediatria decidiu então criar então o blogue, que acabou por crescer mais do que esperava e trazer novas oportunidades.

Foi então que surgiram as propostas para publicar alguns livros. A primeira foi de uma editora já extinta, a Verso de Kapa, para transformar o seu blogue num livro: "Pediatra Para Todos". Seguiu-se o "Primeiros Socorros — Bebés e Crianças" e 2020 está a ser um ano em cheio com o lançamento de mais dois: "O livro mágico do avô João", um livro infantil, e o então "O Livro do seu Bebé — Os primeiros 1000 dias" (19,90€), lançado a 5 de junho.

"A ideia foi fazer um livro que tente ser o guia de referência para todos os pais. Tentar ser o mais completo e exaustivo possível, sem ser aborrecido e maçador, através de uma linguagem prática, objetiva e com conselhos práticos que as pessoas efetivamente podem pôr em prática no seu dia a dia", refere o pediatra. Dia a dia esse que vai desde o dia um ao dia 1000. Fomos então perceber o porquê de este ser o período escolhido para o guia lançado pelo pediatra Hugo Rodrigues.

O livro do seu Bebé
créditos: divulgação

Porquê traçar um período de 1000 dias?
Este período dos 1000 dias é um conceito que já está muito enraizado na cultura médica nos últimos anos. Já se tinha percebido que é provavelmente a altura mais crítica no desenvolvimento de qualquer pessoa, seja em relação a oportunidades que fazem a diferença, seja para conseguirmos ditar o futuro do que vão ser esses 1000 dias. Porque é uma altura em que as crianças crescem mais do que em qualquer outra altura da vida, em que se desenvolvem e adquirem competências e também é uma altura em que precisamos de programar a forma como vai ser gerido o metabolismo e o gasto de energia da criança para prevenir fatores de risco, como doenças cardíacas e obesidade, e ainda a forma como o sistema imunitário se reprograma daí para a frente. Portanto, é um período-chave.

É por isso que a certa altura no livro diz que "se trata de um período de enorme potencial, mas também de grande vulnerabilidade”? Devemos proteger os bebés de todas as vulnerabilidades?
Não. É óbvio que principalmente os primeiros seis meses é uma altura em que o bebé está muito mais sujeito às agressões do mundo que o rodeia, portanto tem de estar mais protegido aí. Mas o excesso de proteção é se calhar tão mau ou pior do que a falta dessa proteção. A vulnerabilidade vai no sentido de que nós temos um potencial de crescimento que devemos otimizar a todo o momento e se não otimizarmos podemos condicionar um bocadinho desse potencial. Deve haver uma responsabilidade positiva e não uma responsabilidade do medo de falhar.

O que fica dentro dos intervalos de normalidade que tanto preocupam os pais?
A normalidade no sentido subjetivo é um conceito estatístico. É aquilo que se encontra na maior parte da população em relação a uma determinada característica. Quando não estamos nessa maioria vamos ter características que não são normais. Agora, todos os pais querem que os seus filhos estejam dentro dessa norma, até porque estão sempre sujeitos a comparações, erradamente, mas é inevitável. O que os pais mais querem é que os filhos cresçam como devem, que sejam saudáveis, que andem quando os outros andarem, ou mais cedo. Isto da normalidade é engraçado. Porque só é mau quando é mais tarde, quando é mais cedo já ninguém se preocupa.

E quando inicialmente algo não está dentro dos intervalos de normalidade, ao longo do tempo, como estes 1000 dias, isso pode alterar-se?
Claro. Como é uma altura vulnerável, num bom sentido em termos de oportunidades, podemos fazer a diferença. O que é importante as pessoas perceberem é o que são os desvios da normalidade. Nós temos o que é normal (onde estará a maioria das crianças), as variantes do normal (que ficam nos extremos, mas que não têm nenhum significado, como costumo dizer "não é defeito, é feitio"), e depois temos o desvio da normalidade. É aqui que nós temos de estar atentos e, se possível, os pais, que são quem passa a maior parte do tempo com as crianças, devem identificar e colocar essas questões em consulta. Os nossos principais olhos são os dos pais.

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Que diferenças nota entre as preocupações dos pais modernos e os de outros tempos?
O que vai mudando é o acesso à informação, que é enorme. Isto tem dois lados: um lado bom em que quando a informação é fidedigna, efetivamente, ajuda os pais a estarem tranquilos, mas, por outro lado, por vezes a informação pode não ser a mais indicada quando se socorre de alguém para tomar decisões. A grande piada de ser mãe e pai é podermos ser nós — estou também a colocar-me no lado de pai — a escolher aquilo que achamos melhor para os nossos filhos, mesmo que depois venha a revelar-se que até não foi o melhor, não há problema nenhum.

Enquanto pediatra, como é que vê o facto de os pais cada vez terem mais o hábito de recorrer a grupos de Facebook ou WhatsApp para, por exemplo, expor uma doença do filho e saber o que fazer em vez de recorrer de imediato aos médicos?
Nós estamos num tempo particular em que as consultas à distância, sem conhecer as crianças e ter um contacto mesmo pessoal, são perigosas. Eu percebo que às vezes as pessoas fazem-me questões quase como se fosse uma conversa de WhatsApp. Mas o meu objetivo de passar informação, seja com o livro, seja com o site, não é esse. Não é substituir as consultas médicas. Há situações em que nada substitui uma consulta médica. As pessoas devem é de ter informação para ajudar a criar um caminho e na dúvida devem perguntar a um profissional de saúde. Grupos de discussão na Internet têm um lado bom, porque permitem que as pessoas percebam que a maior parte das dúvidas que têm são também as de outros pais, mas tem outro lado controverso, que é o de toda a gente opinar porque acha qualquer coisa. E este "acha", não sendo de um profissional de saúde, pode ser perigoso. Tudo o que sejam situações que impliquem uma observação médica, não devem ser substituídas por uma consulta na Internet.

Voltando ao foco dos 1000 dias, sabemos que a alimentação da mãe é fundamental, mas se os hábitos forem mudados apenas na altura da gravidez vai ser suficiente?
É uma questão interessante, porque a esses 1000 dias podemos juntar mais 100, que é o período pré-concecional, no qual dava para mudar comportamentos e otimizar estilos de vida, mas é difícil mudar comportamentos de um dia para o outro. O que nós temos de perceber, relativamente à alimentação, por exemplo, é que as grávidas têm de comer duas vezes melhor e não a dobrar. É um cliché, mas é verdade. A ideia é tentarmos ter um estilo de vida o mais saudável possível, porque grande parte dos conselhos que se dão às grávidas são conselhos que toda a população devia seguir. Tudo isso é reforçado na altura da gravidez, lá está, porque temos um bebé vulnerável às mudanças do meio ambiente. Acho que devem ser reforçados durante a gravidez, se possível antes também, mas se não forem mudados antes, na gravidez vão mais do que a tempo. Basta ter vontade e motivação e acho que não há motivação maior do que ter um filho.

Pegando nas mudanças do meio ambiente, as alterações ambientais e todas as consequências adjacentes estão a ter influência na forma como os bebés se desenvolvem atualmente?
Ninguém sabe. Há várias teorias, mas não se sabe. Agora, há um aspeto que é importante discutir e que não tem que ver com as alterações ambientais, mas sim com as novas alterações comportamentais. Está relacionado com a esterilização excessiva dos locais onde os bebés estão. Há uns anos percebeu-se que os bebés pequenos são mais vulneráveis aos microorganismos, infeções, portanto, achou-se, e isto é lógico, que o ideal é que os bebés não contactem com microorganismo nenhum de forma a evitar o risco. E isto funcionou em termos de infeções. Mas aquilo que se percebeu ao fim de alguns anos é que esta esterilização excessiva boicotou o desenvolvimento adequado do sistema imunitário e é um dos grandes responsáveis pelo aumentos das alergias, das doenças autoimunes que vemos agora em crianças. Estas foram demasiado protegidas, o seu sistema imune não foi desenvolvido na altura certa e passado algum tempo, quando é confrontado com estes microorganismos estranhos, reage de forma desadequada. Por isso é que temos de perceber que desde o início devemos dar estímulos adequados aos bebés, não só para que eles se desenvolvam do ponto de vista motor, mas também do ponto de vista de defesas.

E isso pode agravar-se agora com a pandemia?
Esse é um problema, porque se já havia uma esterilização excessiva, agora muito mais. Eu percebo e faz sentido haver algum cuidado, mas são cuidados normais: lavar as mãos, desinfeção das mãos, não contactar com pessoas com sintomas. Mas tirando isso, temos de ter algum cuidados, porque ambientes demasiado estéreis vão programar mal o sistema imunitário.

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Falava dos microorganismos, do qual fazem parte as bactérias. Temos muito a ideia de que estas são nocivas. É mesmo assim? São todas más?
A maior parte das bactérias com as quais contactamos são bactérias boas. Temos mais bactérias no organismo do que células humanas. As bactérias são importantíssimas para regular o nosso sistema de defesas, particularmente as bactérias que estão no nosso intestino, a chamada microbiota intestinal, que é programada nos primeiros 1000 dias de vida e cuja relação com as nossas células de defesa vai ajudar a que o sistema imune se prepare para reagir de forma adequada. Primeiro, reconhecendo e atacando os corpos estranhos e, em segundo lugar, desenvolvendo algo muito importante que se chama tolerância. Estes dois fenómenos são complementares. Temos mecanismos de reação e tolerância e é o equilíbrio entre os dois que vai ditar o resultado final.

O intestino diz então muito sobre o bebé.
É, sem dúvida, o maior órgão de defesa dos bebés, porque é o primeiro grande contacto com o exterior. As crianças começam a alimentar-se e o bebé vai ter que aprender a lidar com algumas das partículas e a identificar outras como não sendo boas. E tudo isto se processa nos primeiros tempos de vida.

Algo curioso no livro é que refere que as mães não têm de deixar de comer certos alimentos durante a amamentação, como chocolate. Afinal, não influencia o bebé?
As mães que amamentam podem comer de tudo, devem comer o que for mais saudável, como é óbvio, mas não têm restrições por estarem a amamentar. Chocolate não é um alimento saudável, mas não é por estar a amamentar que têm de deixar de comer. Podem comer um bocadinho, sem exageros. Aquela ideia de que os alimentos alergénicos, como chocolate e laranja, não se podem comer está neste momento posta de parte. O que se percebeu é que o contacto com esses alimentos diminui a probabilidade de desenvolver alergias, seja durante a amamentação ou ainda durante a gravidez. Para além disso, mesmo que o organismo identifique aquelas partículas como estranhas, as partículas do leite materno induzem a tolerância e vão ser mais fortes.

Às vezes também há a ideia de que alimentos, como a cebola e alho, podem dar algum sabor ao leite materno. Também é uma ideia errada. Uma das grandes vantagens do leite materno é que é dinâmico — muda a composição e sabor. Devemos variar o mais possível a alimentação da mãe porque quanto mais diferentes os alimentos que a mãe ingerir, mais diferentes os alimentos com que o bebé contacta através do leite materno, e isso é algo bom. O mesmo acontece durante a gravidez. Já há estudos que comprovam que o bebé se habitua a determinados sabores ainda durante a gravidez através da ingestão do próprio líquido amniótico. Atenção apenas ao álcool, cafés (uma a duas vezes por dia). Tirando isso, podem comer de tudo.

Fala-se muito em Baby Led Weaning (BLW) [técnica que consiste em introduzir alimentos sólidos aos bebés dando-lhes oportunidade de comerem sozinhos desde muito cedo]. Concorda com esta prática?
Não concordo, nem discordo. Acho que deve ser uma opção dos pais desde que estejam conscientes de que há algumas medidas que devem ter em conta. Algumas das vantagens dos BLW é que permite que seja o bebé a regular a sua ingestão, e isto é muito importante porque a fome dos bebés deve ser respeitada, permite uma boa relação com os alimentos, e uma maior aceitação das texturas porque vão ser introduzidas precocemente. Mas também tem algumas desvantagens. Desde logo há uma premissa de que não se fala, mas que é muito importante: os pais que introduzirem a alimentação com o BLW devem ter formação em suporte básico de vida pediátrico, sobretudo em situação de engasgamentos, e a esmagadora maioria da nossa população não tem. Portanto, pode ser um risco, apesar de os estudos não mostrarem um aumento do risco de engasgamento com esta prática, mas a forma como são feitos os estudos é discutível. Não me parece prudente introduzir sólidos a bebés sem saber o que fazer de forma real numa situação de engasgamento. Depois, temos o aporte energético e de ferro e este pode ser um problema, porque aos serem os bebés a comer por eles próprios, muitas vezes vão cansar-se e não vão comer tudo o que precisam e isso pode condicionar o seu crescimento e aumento de peso. Há quem defenda que se deve complementar com leite, mas acho isso discutível. Estamos a promover refeições diferentes. Depois temos a situação do ferro, porque não é fácil dar alimentos em ferro que os bebés possam pegar. Há algumas vantagens e desvantagens e acho que ainda não sabemos o suficiente para fazer uma recomendação universal.

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Quanto à vacinação, sente que hoje em dia há uma maior ou menor aceitação das vacinas?
Acho que em Portugal estamos muito bem ainda. Vão crescendo alguns grupos antivacinas, principalmente nas grandes cidades. Na minha realidade, Viana do Castelo, isso ainda não é tão notório. Mas surgiu um estudo preocupante que diz que daqui por dez anos, a subir a tendência que se tem verificado nos últimos tempos de movimentos antivacinas e mesmo numa altura em que estamos todos à espera de uma vacina para combater a COVID-19, estes movimentos vão ter ainda mais força.

Isso preocupa-o?
Muito. Isto tem que nos pôr [pediatras] no terreno a ter um papel muito próximo, obrigatoriamente. Não há dúvidas algumas de que as vacinas diminuíram drasticamente a mortalidade infantil e melhoraram a qualidade de vida ao diminuir as sequelas de doenças graves nos últimos anos. Não podemos ter receio nenhum de afirmar que as vacinas recomendadas no Plano Nacional de Vacinação (PNV) são todas para cumprir.

Foi essa a mensagem que tentou transmitir através do livro, desmistificando alguns dos mitos?
Sim. Alguns conceitos vão estando enraizados porque são populistas e infelizmente também porque quem propaga estes mitos são pessoas que sabem comunicar bem e apelam muito ao lado emocional. Isso às vezes é um erro nosso, médicos, que somos "chatos", ou seja, muito científicos e pouco emocionais. Temos de passar esta informação porque nós sentimos essa emoção, às vezes só não transmitimos corretamente. Nenhum de nós fica indiferente a um caso de meningite, por exemplo. Se pudermos proteger todos os nossos bebés e crianças, temos obrigação de o fazer. É importante perceber que a maior parte das pessoas contra as vacinas, não são verdadeiros "antivacinas", são pessoas indecisas que acabam por ser condicionados pela tal mensagem emocional. Daí a importância de nós também estarmos nas redes sociais, na Internet, e passar uma informação clara de que as vacinas são uma mais valia para todos os bebés.

No livro fala também da importância de brincar. Deve começar logo desde que os bebés estão na barriga?
Sim. O interagir pode e deve ser feito já com o bebé na barriga. Há estudos engraçados que demonstram a reação dos bebés à voz da mãe, à voz do pai. Por acaso, no caso do meu filho mais velho, havia uma música a que ele reagia mais e quando a punha ele começava aos trambolhões [risos]. É curioso que nunca reagiu a essa música depois de nascer.

Traçou alguma idade para poder passar um ecrã para as mãos dos seus filhos?
Eu não sou demagógico [risos]. Defendo que os ecrãs até aos 2 anos não têm vantagens e até essa idade os meus filhos não tiveram contacto com os ecrãs. Mas depois disso passaram a ter e hoje em dia têm. A minha opinião pediátrica é que é evitável.

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Mas essa deve ser a idade padrão?
Não. A mensagem para os pais é que se deve controlar o tempo, a quantidade de exposição aos ecrãs e, por outro lado, a qualidade do que eles veem e jogam. E convém estar com eles. A mim não me choca nada que os pais joguem ao lado dos filhos. Às vezes estamos na mesma divisão, eu faço isso. Muitas vezes jogo online com os meus filhos. É didático e percebo o que eles estão a jogar. Acho piada ao facto de os amigos acharem piada estarmos a jogar, mas estão habituados. Para além de estarmos efetivamente lá, é uma forma de partilharmos, brincarmos, e estamos a perceber quais os interesses deles.

Como saber quais os jogos mais indicados?
Tal como os brinquedos, todos os jogos têm indicação de idade adequada e essa indicação deve ser respeitada. Não é à toa que essa indicação está lá e os pais deviam conhecer isso. Há algumas aplicações, redes sociais, YouTube, que dizem a idade a partir da qual podem ser utilizados e isso deve ser respeitado.

Enquanto pediatra, mas também alguém que sabe o que é ser pai, o que mais o preocupa nos bebés cujos 1000 dias começaram neste período da COVID-19?
Se calhar é algo que as pessoas não estão à espera, mas é o tal excesso de proteção. Antes da pandemia os bebés pequeninos já estariam com os pais que estavam de licença e ganharam mais tempo e atenção dos mesmos e isso foi uma mais valia para eles. Claro que perderam a socialização, mas se socializarem com os pais, os irmãos, aqueles que estão mais próximos, é aquilo de que precisam. Não vão ficar com nenhum tipo de problema por não socializarem com outras crianças. A questão é o excesso de proteção, o ter as crianças demasiado fechadas, não dando a multiplicidade de estímulos de que a criança precisa para se desenvolver de forma global e harmoniosa. Portanto, ajuntamentos devem ser evitados, mas andar na rua é importante para as crianças saltarem, sujarem-se, esfolarem os joelhos, correrem, tudo o que é fundamental para o seu desenvolvimento.

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