Margarida Beja é nutricionista clínica e responsável pelo podcast "Em Banho Maria", onde fala sobre o intestino e o comportamento alimentar. Lançou o livro "Intestino Descomplicado" e a MAGG falou com a especialista para entender mais sobre este órgão, como o devemos tratar e quais são os sintomas que nos devem preocupar quando vamos à casa-de-banho.

O principal objetivo da autora com esta obra, tal como o nome indica, foi descomplicar o intestino sem tirar rigor científico para que, de maneira simples e acessível, qualquer pessoa consiga aprender sobre o funcionamento intestinal, o papel da alimentação e a influência da saúde mental nos sintomas intestinais.

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"Há uma componente muito subjetiva quando falamos sobre esta ciência e eu não pretendo que o livro substitua o especialista, mas sim que contribua para a literacia em saúde, dando consciência às pessoas dos sintomas e quando devem ou não procurar consulta", esclarece.

Deste modo, "Intestino Descomplicado" serve de complemento à possível intervenção médica e contribui para desmistificar mitos e desinformação comuns. A especialista destaca e esclarece alguns:

"O glúten não é inflamatório e, por isso, não se deve restringir se não houver um problema de base"; "não precisamos restringir os hidratos de carbono até porque são responsáveis pela fibra de que o intestino precisa para produzir compostos benéficos para a saúde"; e finalmente, "muitos suplementos, minerais por exemplo, têm efeitos secundários e podem ter efeitos a nível intestinal".

A nutricionista chama também à atenção para outro facto: não há um número certo de vezes para se ir à casa-de-banho. "Depende daquilo que é habitual para cada pessoa. Há pessoas que vão a vida toda três vezes por semana e não faz diferença nenhuma e há quem vá dia sim, dia não. É preciso é estar atento aos sintomas associados, nomeadamente dor ao evacuar, sangue nas fezes, perda de peso involuntária e má absorção.”

Quando toca ao intestino, segundo Margarida Beja, é preciso prestar atenção também a sintomas como: diarreia persistente, vómitos, febre, dores de barriga, suores noturnos e historial de cancro do colorretal na família.

O intestino é o nosso "segundo cérebro"

A nutricionista tem a síndrome do intestino irritável, que se caracteriza por dor abdominal associada a alterações do trânsito intestinal, e sempre notou que havia uma ligação bidirecional entre o intestino e o cérebro, daí o considerar como o nosso "segundo cérebro". “Cada vez que ficava mais ansiosa isso tinha impacto no meu funcionamento intestinal. A forma como nos sentimos impacta os nossos sintomas intestinais”, explica.

O comportamento alimentar e a saúde mental são inclusive áreas que menciona no livro, por terem esta capacidade de influenciar as alterações intestinais.

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A autora alerta que, para melhorar o funcionamento do intestino, é aconselhável fazer uma alimentação variada: “Cada pessoa é diferente e mesmo quando é necessário fazer uma restrição alimentar, quando há um problema gastrointestinal de base, eu foco-me na variedade e não naquilo que a pessoa não pode comer”, adianta Margarida Beja.

 6 dicas simples para ter um intestino saudável

  1. Evitar restrições alimentares desnecessárias
  2. Consumir fibra de várias fontes —fruta, vegetais, sementes, frutos secos, leguminosas, cereais integrais, pão, massa e arroz
  3. Gerir o stress e as emoções, procurando ajuda quando necessário [porque os sintomas intestinais podem ter a ver com a parte emocional]
  4. Praticar exercício físico
  5. Evitar bebidas alcoólicas
  6. Manter uma boa hidratação

Margarida Beja começou a exercer nutricionismo em 2017, no Reino Unido. É também criadora do podcast "Em Banho Maria", que conta já com quase 60 episódios, onde também se esforça por descomplicar a nutrição, o intestino e o comportamento alimentar.

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