“Racista, eu? Nem pensar. Até tenho um amigo negro. Vês, não disse preto, isso é que é ser racista. Não quero saber disso das raças, para mim somos todos iguais. Olha, um exemplo: vi a notícia daquele jovem em Bragança que foi assassinado e nem sabia o que fazer. Uma história horrível. Quando é que o racismo acaba? Hã? Não foi racismo? Mas ele era negro. Tens a certeza? Bem, mas voltemos ao assunto principal. Eu não sou racista.

Mas obviamente que estamos numa altura complicada, e todo o cuidado é pouco. Até as coisas acalmarem, acho que os chineses deviam ser proibidos de entrar em Portugal, os portugueses não deviam ser repatriados e nem pensar em pôr os pés numa loja dos chineses. Mas isso não é ser racista, é ser cauteloso. Eles é que têm a doença, nós temos que ter cuidado.”

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Ainda não perdi totalmente a fé na humanidade, mas caramba. Conseguimos ter a inteligência de uma ervilha e a coerência de uma avestruz que enfia a cabeça na areia quando tem medo. Esta conversa (felizmente) não aconteceu ipsis verbis, mas não está muito longe do que se escreve por estes dias na internet.

Notícia: “Sete pessoas com passaporte português em quarentena num cruzeiro”
Comentário: “Que fiquem por lá”.

Notícia: “Além do coronavírus, China confirma também surto de gripe das aves”
Comentário: “Fechem mas é a porta da China, de lá não vem nada que preste.”
Mais um: “Comem tudo o que se mexe. Povo estranho. Fechem os aeroportos à China, se faz favor".

Notícia: “Centenas são repatriados a partir de Wuhan. Portugueses devem embarcar este sábado”
Comentário: “A DGS [Direção-Geral da Saúde] que os leve para casa da ministra da saúde".

Notícia: "Comunidade chinesa em Portugal garante prevenção, mas receia alarmista"
Comentário: "Não devia de entrar em Portugal".
Mais um: "Que ponha esses chinos de quarentena, assim ninguém receia".

Notícia: "Belga com coronavírus viajou no mesmo voo que os 17 portugueses repatriados de Wuhan"
Comentário: "E porque razão esse belga não veio também para Portugal como as duas brasileiras? Nós acolhemos tudo e todos".

Está na moda ser boa pessoa: fazer reciclagem, defender todas as orientações sexuais, criticar os racistas, misóginos e mentecaptas que discriminam o outro. Claro que quando desligam o computador ou regressam a casa do encontro com amigos, muitos atiram a garrafa de plástico para o lixo comum; fazem piadas sobre os transexuais; recusam-se a dividir as tarefas domésticas porque estão "cansados" (ou são mulheres e tratam do assunto sem levantar ondas porque #éavida); e gritam com a televisão de cada vez que se fala em chineses.

Está na moda ser boa pessoa, sim, mas continuamos a ser uma merda. Quando achamos que a nossa vida está em risco, que se lixem os outros porque primeiro estou eu. Portugueses a viver em Wuhan? Continuem por lá. Chineses em Portugal? Está na hora de irem embora. Turistas? Se arriscam a viagem, não voltem.

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Fizemos (e continuamos a fazer) o mesmo depois do 11 de setembro. Houve um atentado terrorista reivindicado pela Al-Qaeda, vamos ostracizar todos os muçulmanos porque mais vale prevenir do que remediar. Décadas depois, ainda olhamos de lado para as mulheres que andam na rua de burca ou para os homens muçulmanos que entram no metro com uma mochila.

Fizemos (e continuamos a fazer) o mesmo com os judeus, os negros, os albinos, os homossexuais, os queers, os portadores de uma qualquer deficiência física ou mental, os sem-abrigo, os góticos, os que têm o cabelo demasiado comprido ou demasiado curto, os que têm uma roupa demasiado cara ou demasiado barata, os que cheiram bem ou cheiram mal. Descriminamos, ostracizamos, colocamos de lado, até ao dia em que somos nós a estar do outro lado.

Vamos parar com esta loucura, por favor. Leiam notícias, informem-se em fontes credíveis, aprendam tudo o que há para aprender sobre o vírus e não sejam estúpidos. O vírus foi identificado pela primeira vez em humanos na cidade chinesa de Wuhan, mas não é exclusiva dos chineses. Não é deles que deve evitar um contacto próximo, mas sim de todos os doentes com infeções respiratórias — segundo as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

Mas igualmente importante é evitar contacto desprotegido com animais selvagens ou de quinta, lavar frequentemente as mãos e tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir. Não vale a pena também fugir das lojas dos chineses, nem tão pouco cancelar a encomenda que tinha mandado vir — até ao momento não é conhecida a capacidade de transmissão do vírus através do contacto com superfícies e/ou objetos.

Não descriminem, não cedam ao pânico, não segmentem. Está na moda ser boa pessoa? Está. Mas então vamos mesmo ser boas pessoas — ou ter apenas dois dedos de testa, já ajuda.

Já reparou que a MAGG está diferente? Estamos mais bonitos, é verdade, mas também cheios de novidades. Para começar, temos uma nova cronista: dêem as boas-vindas à jornalista Ana Luísa Bernardino, que acabou de chegar aos 30 anos e está deveras surpreendida com esta coisa de ser adulta sem o jovem. Na primeira crónica, sentou-se à conversa com o seu eu de 6 anos para lhe explicar o porquê de algumas coisas não terem corrido exatamente como ela estava à espera.

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As novidades continuam na estreia de duas novas rubricas: "Quando eu era pequenino", que aproveita os aniversários das figuras públicas para recordar as suas fotografias de infância, e "Os filmes e séries que vimos esta semana", onde lhe contamos o que anda a nossa redação a ver. Do muito bom ao que não vale mesmo a pena, todas as sextas-feiras damos-lhe sugestões para que não perca tempo e vá diretamente ao que interessa.

Então e os artigos da semana, Marta? Vamos lá agora: "Reformei-me. Histórias de quem de repente chegou ao 'E agora?'" é de leitura obrigatória. A data parecia distante, até que chegou. A vida no trabalho já estava marcada pela desmotivação, mas entranhou-se. De repente, acorda-se e está-se reformado. O que fazer com tanto tempo? O misto de sensações é grande e a proatividade o segredo, contam 3 testemunhos à MAGG.

A nutricionista Mariana Abecasis lançou "O Guia Prático da Gravidez Saudável" e sentou-se à conversa com a jornalista Marta Cerqueira para recordar como foi a sua própria gestação (foi mãe há oito meses) e dar dicas a todas as futuras e recém-mães. Já Rafaela Simões entrevistou a psiquiatra Marian Rojas Estapé, que escreveu agora "Como Fazer para Acontecerem Coisas Boas". O primeiro ponto é perceber quem somos e o que é que queremos. Fácil? Então tente responder a estas duas perguntas num minuto. Pois, não é tão simples quanto parece.

Os Óscares chegam na madrugada deste domingo, e há filmes que foram injustamente ignorados para a cerimónia deste ano, posters honestos que vão mudar a sua perceção dos títulos e muitas sugestões para ir ao cinema. Contamos-lhe tudo no Especial Óscares. E porque na sexta-feira a seguir é Dia dos Namorados, também temos um especial dedicado a todos os apaixonados — e solteiros. Quem disse que têm de ficar em casa?

Até para a semana.

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